Quatro princípios básicos para a formação do autodidata

Autodidatas

Oi, gente!!!
Bom, coloquei hoje uma enquete lá no Instagram e no Facebook para saber qual aula vocês queriam ver do Curso Ensinar a Estudar, porque queria liberar uma delas para quem quer assistir.

Das duas opções, a que ganhou foi a Aula 4 do Módulo 1: Princípios básicos para a formação do autodidata.

Então aí está!! =) Quem quiser assistir, até a próxima quarta-feira, dia 14/11, ela ficará disponível lá na plataforma do curso.

Antes de ir para a aula, dê uma olhadinha na imagem do início do post. Você sabe dizer quem são cada uma dessas personagens históricas?

Então vamos lá!! Para acessar basta clicar na imagem abaixo e você será direcionado! (Só um aviso: ao entrar na plataforma lembre-se de rolar a página para baixo para visualizar também o arquivo em áudio e o PDF com resumo da aula para fazer download).

Espero que vocês gostem!!

=)

aula autodidatismo

 

O que faz uma criança gostar de ler? (Ou: o que fazer para que a criança se torne um leitor?)

De vez em quando alguém me pergunta sobre o que fazer para que as crianças gostem de ler. Para falar a verdade por muito tempo eu não soube dizer o que, exatamente, eu faço para que as crianças gostem de ler, porque sempre achei isso muito natural.

Mas para essa aula eu organizei um pouco as ideias para mostrar minha visão sobre esse assunto (que não é lá muito convencional) e os princípios que eu sigo quanto a essa questão de incentivo à leitura.

Essa é uma das aulas do Curso Ensinar a Estudar, mas estou deixando como vídeo aberto para quem tiver interesse, tá? Está lá no canal mas você pode ver aqui:

 

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Motivando os alunos para o estudo (e esse tal de “É brincando que se aprende”)

Motivar o aluno para a aprendizagem, despertar a vontade de aprender, incentivar o interesse nos estudos…. Quem nunca ouviu ou usou esses termos, consumindo-se em preocupação na busca pelos métodos e estratégias que finalmente farão com que nossas crianças e adolescentes descubram a maravilha que é estudar e aprender?

Dar aulas é algo que faz parte da minha vida há 20 anos e apenas nos últimos dois anos é que “despertar o interesse dos alunos” e outras ideias similares deixaram de ser uma preocupação minha. E se você pensa que eu deixei de me preocupar porque descobri, finalmente, a estratégia perfeita para resolver o problema, lamento te decepcionar. A verdade é que eu entendi que, no que diz respeito aos estudos, essa é uma ideia que não apenas não faz sentido, como atrapalha o que entendemos por educação. Vou explicar.

Sempre gostei de começar as aulas com algo que chamasse a atenção dos alunos para o assunto. É a famosa captação: parte da rotina de quem faz questão de manter a audiência interessada no que vai dizer – e eu investia pesado nisso. Já me caracterizei de personagens divertidos, já fiz gincanas e competições, já usei imagens, vídeos, histórias, objetos, música, forca, cruzadinha e nem sei quantas atividades diferentes para ter certeza de que os alunos jamais esqueceriam aquela aula – afinal, como eu aprendi na faculdade e nos comerciais de televisão, “é brincando que se aprende”.

Pois bem. Acontece que com o passar do tempo comecei a perceber um fenômeno interessantíssimo: o momento de captação era sempre um sucesso; a hora de estudar, um desastre.

Os alunos riam e se divertiam com as atividades que eu preparava. Uma maravilha! O problema é que na hora que começava a parte deles no negócio – ler, reler, interpretar, escrever e pensar – ninguém queria saber de mais nada. Bom, “ninguém” é exagero; sempre temos alunos que fazem o que precisa ser feito. A maioria, no entanto, começava com as mesmas reclamações de sempre e qualquer tarefa era praticamente um parto!

o-defeito-do-que-e-interessante-por-si-mesmo-e-que-nao-e-penoso-se-interessar-por-aquilo-e-que-nao-se-aprende-a-se-interessar-por-aquilo-por-vontade-propria-eis-a-razao-por-que-eu-desprezo-ate-a-linNa mesma época comecei a trabalhar fora de sala de aula com alunos que tinham dificuldades nos estudos e foi quando fiz uma das grandes descobertas da minha vida pedagógica: NÃO é brincando que se aprende!

Antes que alguém queria me levar presa por apostasia e infração gravíssima às leis pedagógicas modernas, quero deixar claro que não estou dizendo que os alunos não podem aprender enquanto brincam, nem elogiando as aulas maçantes. Por favor, acompanhem o raciocínio.

A questão é que sempre que insistimos na ideia de que o aluno precisa aprender brincando, produzimos dois efeitos terríveis para a verdadeira educação:

Primeiro: passamos para o aluno a ideia de que estudar e aprender são atividades divertidas. E isso é um tremendo, tremendo engano!! Porque a verdade é que o aprendizado é consequência do estudo e estudar dá muito, muito trabalho!

Segundo: passamos para o professor a ideia de que ele é o maior responsável pela motivação do aluno para o estudo – o que também não é verdade. Um professor pode ser lindo, maravilhoso, encantador e deslumbrante e ainda assim ter alunos em sua turma que não possuem qualquer motivação para os estudos.

“Ah, mas quanto absurdo você está dizendo! Eu conheço alguém que começou a gostar de Matemática só porque o professor o incentivou. E também tem aquele que…”

Bom, eu também conheço um monte de gente nesse estilo. Eu mesma fui incentivada por excelentes professores que tive e já ouvi de diversos alunos o quanto minhas aulas os incentivaram a gostar de ler ou outras coisas assim. Mas, e aqueles por quem eu gastei metade dos meus neurônios e nunca consegui encontrar um jeito de motivar? E todos aqueles que estudaram comigo, tiveram os mesmíssimos professores que eu e ainda assim não queriam nada com a vida?

O que eu quero dizer – e o que me fez mudar meu estilo de ensino e até a desenvolver o Curso Ensinar a Estudar – é que existem questões morais que antecedem às questões didático-pedagógicas.

Uma virtude básica importantíssima para que alguém tenha um bom desempenho – seja na escola, seja na vida – é a fortaleza. Essa virtude, que se tornou uma palavra praticamente desconhecida no nosso mundo moldado pelo politicamente correto, cuja única função parece ser criar pessoas fracas, diz respeito a capacidade que um ser humano tem de enfrentar as dificuldades para propósitos nobres e bons. Agora veja: você não enfrenta nada enquanto assiste algo acontecer. “Enfrentar” é um verbo que implica movimento; uma ação com envolvimento intenso e que lembra luta, batalha, suor, cansaço e, muitas vezes, até lágrimas e sangue.Já falei um pouco sobre a questão da fortaleza no post sobre o Bullying.

Mas, afinal, que relação essa virtude pode ter com ensinar a estudar? Por que falar sobre caráter quando o assunto é desempenho acadêmico? Pelo que eu já disse: estudar é difícil. Mesmo! Pergunte a qualquer pessoa que estuda de verdade. Eu já ouvi muitas vezes pessoas me dizendo: “Pra você é fácil porque você gosta de estudar.” Não é não, gente! Ler textos difíceis cansa, pesquisar é complicado e escrever pode ser um exercício tão trabalhoso que às vezes dá vontade de chorar (sem exagero). Eu gosto, sim. Mas gosto porque o resultado desse trabalho – como de todos os bons trabalhos – me traz muita alegria. Pela graça de Deus meus pais me ensinaram a encontrar prazer em aprender e descobrir coisas. A questão é que até chegar lá onde a alegria mora existe um caminho a ser percorrido – e o resultado precisa valer a pena.

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Agora veja a situação terrível em que estão as nossas crianças: elas estão sendo ensinadas
por professores que na maior parte do tempo culpam a si mesmos (e são apontados como culpados pela sociedade inteira) por não estar conseguindo motivar os alunos a aprender. “Precisa pôr mais tecnologia na sala de aula! Precisa dar aulas melhores para conter a evasão escolar! Precisa isso, precisa aquilo!” Muitas vezes os próprios pais assumem para si alguma culpa pelo fato de que a criança não estuda (e, consequentemente, não aprende). E enquanto isso elas são ensinadas pela nossa sociedade que são vítimas de um sistema educacional ruim, uma escola ruim, uma vida ruim, e etc… Enquanto isso, o computador, a televisão e o videogame oferecem todo tipo de opções onde tudo é rápido, tudo é superficial, tudo é agitado e tão fácil que até ler um texto como esse, com pouco mais de mil e quinhentas palavras, já é considerado um exercício impossível para a maioria de nós. (“Isso não é um texto; é um livro!”)

Agora me digam: como é que alunos moldados por esse sistema vão descobrir que na verdade aprender é algo que depende do trabalho deles? Como vão entender que quando uma leitura está difícil eles precisam ser fortes e perseverar no trabalho até conseguir vencê-lo e finalmente compreender o texto? Como vão aprender que prestar atenção em uma aula requer disciplina e autocontrole – que são uma verdadeira batalha contra nossa vontade de distrair o pensamento e voltar a atenção para outras coisas mais interessantes? Como vão perceber que o estudo é um exercício e que não podemos desistir no primeiro erro – nem no segundo, nem no terceiro, nem no que for necessário para que se encontre a resposta certa?

Quando estava no Ensino Médio eu tinha um professor de Biologia que mais faltava do que ia dar aula. Era escola pública, então não tinha muito o que fazer a respeito. Entrava um substituto que mandava a gente copiar qualquer coisa para passar o tempo. Eu ficava brava com aquilo e um dia reclamei para a minha mãe que assim não tinha como aprender. Ela me disse o que dizia sempre: “Quem faz a escola é o aluno. Pega o seu livro de Biologia e vai estudar”. Meus pais nunca me deram a opção de me colocar como vítima do sistema; eles me faziam ver que estudar era um trabalho meu e que eles esperavam que eu o fizesse.

Meu tempo com os alunos (tanto aqueles que têm um excelente desempenho nos estudos como aqueles com dificuldades para aprender) me tem feito pensar muito sobre tudo isso. E quanto mais estudo e pesquiso, mais acredito que o problema da nossa educação não é prioritariamente financeiro, nem pedagógico, nem mesmo estrutural; o problema da educação é, antes de tudo, moral. Se queremos que nossos alunos alcancem bom desempenho acadêmico, precisamos compreender a necessidade da educação do caráter e ensiná-los que aprender é consequência de um trabalho chamado “estudo”. E que estudar dá, sim, muito trabalho.

Na Educação por Princípios nós usamos os princípios do autogoverno e do caráter cristão para ensinar às crianças que as dificuldades fazem parte da nossa vida e por meio delas nosso caráter é moldado por Deus, sendo necessário, para isso, aprender a governar a si mesmo de forma que suas decisões sejam tomadas com base em suas convicções, e não na sua vontade ou falta dela.

Antes, quando as crianças reclamavam que uma lição estava chata, eu me sentia culpada e pensava o que precisava fazer para motivá-los e deixar tudo mais divertido. Depois, minha resposta passou a ser: “Está chata porque é um exercício e dá trabalho. Seja forte e não desista até ter conseguido terminar. Imaginem que essa lição é uma pedra que apareceu no seu caminho. Se você se esforçar até conseguir ultrapassá-la, se tornará mais forte e vai lidar com as próximas pedras coknightm maior facilidade; se desistir e sentar à beira do caminho, não só não se tornará mais forte, como também não chegará a lugar nenhum. Vamos, eu sei que vocês conseguem vencer essa.” Parece bobeira, mas com o tempo eles começam a internalizar a ideia de que, assim como os heróis das boas histórias, que enfrentavam dragões e precisavam lutar com todas as forças, eles também têm suas pequenas batalhas e seus gigantes a derrotar. Essa é, aliás, mais uma razão para investir na formação literária das crianças e adolescentes. Coragem, perseverança, determinação – é isso que precisamos enfatizar! Porque a motivação precisa vir de dentro de um coração forte e pronto a vencer os desafios, custe o que custar.

Katarine Jordão

PS. 1 – A nova turma do Curso Ensinar a Estudar está com inscrições abertas

PS. 2 – Na foto de capa está o Caique. Um aluno a quem quero dedicar este texto – porque aí está uma criança que tem aprendido a ser forte!! ❤

O outro lado do bullying

A cena é comum: no meio da aula alguém faz um comentário sobre uma formiga e o aluno engraçadinho aproveita:
“Uma formiga? Então é a “Fulana”!! – se referindo à colega mais baixinha da sala.
A reação comum da menina seria se levantar furiosa na direção dele, chorando e gritando nervosa.
Mas hoje foi diferente…

***

Comecei a escrever esse texto há uns três anos, quando presenciei uma cena interessante de interação entre os meus alunos e tomei coragem para dizer o que pensava ser o outro lado do bullying. A coragem passou e o texto ficou esquecido. No domingo passado, o início de uma série de reportagens do Fantástico1 sobre o tema foi uma grande motivação para o retorno à conversa por diversas razões. A primeira delas foi a forma estranhamente inadequada com que o assunto foi abordado no programa.

“Eu amo quem sou”

No início do projeto, uma preparadora de elenco (o que uma preparadora de elenco faz nesse tipo de programa já deveria causar certa estranheza), chamada para ajudar as crianças a lidar com o bullying, começa com uma série de exercícios e uma atividade em que todas as crianças são vendadas e induzidas a expressar o que sentem – ou, prefiro dizer, uma atividade em que as crianças são fortemente manipuladas emocionalmente.

Não é preciso ser muito criativo para adivinhar o que vai acontecer quando, enquanto as crianças estão com os olhos vendados, a senhora começa a passear entre eles e vai tocando em seus ombros e perguntando, com voz dramática: “Por onde eu passei? Quem eu perdi? De quem eu tenho saudade? Quem me deixou raiva? Quem me deixou triste? Quem me deu carinho? Quem não me deu?” As crianças e adolescentes, claro, começam a chorar e a dizer, aos prantos, frases como “eu te amo, pai”, e “onde você está?”.

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Qualquer pessoa que já tenha estudado um pouco sobre como funcionam as emoções sabe que é possível induzir as pessoas a determinados comportamentos quando você consegue colocá-las em determinado estado de vulnerabilidade emocional. Eu sempre fui uma pessoa extremamente emotiva e um dia, depois de sentir raiva de mim mesma por ter feito a assinatura de uma revista que eu na verdade não queria, estava lendo um artigo sobre estratégias de marketing e cheguei à brilhante conclusão de que o vendedor tinha usado comigo todas as seis técnicas que estavam ali descritas. E eu tinha caído feito uma patinha boba. Depois disso aprendi que era preciso ser mais esperta para perceber quando alguém estava tentando me induzir a determinadas emoções, seja lá pela razão que fosse.

Pois bem, mas as crianças que foram usadas no programa “Eu amo quem sou” ainda não aprenderam isso. E, acredito, a maior parte dos telespectadores também não. Assim, quando as crianças começaram a chorar e expressar suas dores mais profundas, muito provavelmente a maior parte das pessoas que assistiam ao programa, num movimento de reação empática ao sofrimento das crianças, começaram a sentir-se extremamente comovidas e, algumas, a chorar também. A partir daí, deixaram de analisar a situação de forma crítica, assumindo uma postura passiva e absorvendo abertamente tudo o que o programa quis transmitir. Exagero meu? Ou será que a maior parte das pessoas que assistiam de fato analisaram se o programa estava agindo corretamente ao expor as crianças dessa forma e se esse tipo de campanha é, de fato, a melhor forma de lidar com o problema?

E aliás, por que razão mesmo os psicólogos e demais profissionais precisam garantir o sigilo dos atendimentos realizados, se um programa de televisão vai apresentar os sentimentos mais profundos e as reações emocionais de diversas crianças, transmitindo em cadeia nacional e gravando para quem quiser assistir, hoje ou daqui a dez anos?

As demais razões que me preocupam na série são as mesmas que já tenho há anos com relação ao tema, desde que comecei a pesquisar e refletir sobre a forma como lidamos, na educação, com as questões envolvendo as emoções e caráter das crianças e adolescentes.

O que, afinal, é bullying?

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Bullying é aquele tipo de coisa que todo mundo sabe o que é, mas ninguém tem muita certeza. Você pode encontrar muitos sites, textos e reportagens explicando as características e tudo o mais, mas quando pensar algo como “Tudo bem, mas quem foi que disse o que, exatamente, é bullying? Quem definiu isso e com base em quê?”, então vai perceber que não é tão simples encontrar respostas. O problema é que essa é uma ideia em certo desenvolvimento, e, diga-se de passagem, muito subjetiva.

Pois bem. O conceito de bullying é entendido como um fenômeno onde uma pessoa – geralmente uma criança ou um adolescente – é exposta de forma constante a um comportamento agressivo por parte de um “valentão”, ou “bully”, no inglês, palavra que, com o tempo, deu origem ao termo bullying.

O professor Dan Owleus foi o primeiro a estudar de forma sistemática a ocorrência do bullying nas escolas da Escandinávia, mais especificamente Noruega e Suécia, na década de 19702. Seu objetivo era descobrir o que levava uma criança a praticar o bullying, quais seriam seus efeitos na vida de uma vítima e como esse fenômeno poderia ser minimizado.

Desde então, diversos autores e pesquisadores têm buscado encontrar a melhor definição para o termo, tentando entender o que pode e o que não pode ser considerado bullying. O interessante é que, sendo um termo relativamente novo, é possível encontrar quem queira demonstrar que esse é um fenômeno antigo, citando exemplos da literatura – como nas obras de Shakespeare ou C.S.Lewis – e, indo bem mais longe, nas frases escritas pelo rei Davi, nos salmos bíblicos, quando relatava sua angústia pela perseguição que sofria.3 Exemplo no mínimo engraçado, se você conhece um pouco da história do primeiro rei de Israel. Sinceramente, não creio que Davi concordaria muito com a ideia de dar o nome de bullying ao que viveu enquanto se via obrigado a fugir dos inimigos que buscavam tirar-lhe a vida.

Mas, no final das contas, parece haver um acordo entre os autores quanto a alguns pontos: o bullying se caracteriza por ser repetitivo, sistemático e praticado com a clara intenção de causar dano ou prejudicar alguém que não possui condições de se defender. Alguns autores incluem a necessidade de haver o prazer, por parte do agressor, e a sensação de estar sendo oprimido, por parte da vítima. Pois bem. Assumindo que essas sejam as características que definem o conceito de bullying, isso nos leva a alguns problemas:

  1. A banalização do termo

“O bullying é quando alguém diz alguma coisa que você não gosta”, diz um menino no programa “Eu amo quem sou”. Bom, por definição isso não é bullying. O problema é que depois de uma campanha de conscientização, geralmente a “moda” pega e basta uma criança mostrar a língua para a outra que lá vem a música: “Olha ele! Está fazendo bullying!”. E então você precisa interromper sua aula para explicar: “Não, ele só está sendo bobo. Isso não é bullying”.

E então toca explicar de novo que bullying é um caso de agressão repetitiva, em que a outra pessoa não tem como se defender. E olha… Dá muito trabalho explicar que nem todo incômodo ou mesmo ofensa podem ser considerados bullying. Nesse sentido, programas como essa série “Eu amo quem sou” mais atrapalham que ajudam.

O que acontece é que, com a banalização do problema, logo todo mundo passa a ver o assunto como uma bobeira e os casos realmente sérios são tratados como banais. Não é assim com outras questões? Se toda mulher chata usa como desculpa a TPM, logo essa história de TPM passa a ser vista como bobeira e, enfim, quem realmente sofre com TPM será igualmente desacreditada.

podres de mimadosTheodore Dalrymple, no livro “Podres de Mimados”, cuja leitura, aliás, deveria ser obrigatória para quem quer de fato entender o problema, explica: “Quando reivindicações falsas da condição de vítima se tornam frequentes e bem divulgadas, elas servem para reduzir a simpatia por aqueles que realmente sofreram e para induzir um estado de cinismo. E essas reivindicações fajutas parecem estar ficando cada vez mais frequentes.4

Nesse ponto, a série “Eu amo quem sou” conseguiu fazer do problema um perfeito show de coitadismo e reforçar mais um problema:

  1. O culto à vítima

Bastam alguns minutos em frente a algum desses programas populares de TV ou lendo atualizações do Facebook para entender o que Dalrymple chama, em seu livro, de culto à vítima.

Sofrer de forma extravagante por motivos banais, dramatizar a própria tristeza… Ser vítima está, definitivamente, na moda. Você pode ser vítima da chuva, do motorista de ônibus que não parou ou da pessoa chata que comentou seu post. O importante é demonstrar que você sofreu muito com seja lá o que for e que isso vai causar marcas para o resto da sua vida, porque quanto maior o sofrimento que você alega ter vivido, maior a comoção generalizada que você vai despertar.

“Se antes as pessoas ansiavam por ler os efeitos excepcionais dos exploradores da África, ou dos cartógrafos das imensidões virgens, hoje elas querem ler a respeito de pessoas conhecidas como sobreviventes de traumas, ou que assim se denominam. Dificilmente parece importar que, na maioria dos casos, as experiências a que elas ‘sobreviveram’ não poderiam tê-las matado, e que, excetuando o fato de não terem cometido suicídio, elas dificilmente teriam conseguido não sobreviver; e que, portanto, sua sobrevivência é uma realização um pouco maior do que respirar.”5

O problema, no caso do bullying, é que quanto mais essas campanhas enfatizam o papel de vítima, mais e mais crianças serão levadas a assumir para si a condição de vítima; mais e mais pais verão seus filhos como vítimas; e quanto mais vítimas, mais bullying, e assim continuamos eternamente e cada vez pior.

É difícil convencer as pessoas a pararem de olhar para si mesmas dessa maneira, especialmente porque existe um grande interesse nisso. Quanto mais as pessoas se sintam assim, indefesas e dependentes de socorro externo, mais elas estarão nas mãos daqueles que possuem a “solução perfeita” para lhes oferecer.

É por isso que eu sou fã incondicional e sempre recomendo aos pais dos meus alunos e a todo mundo que eu encontro que conheçam a vida e o pensamento de Ben Carson, hoje pré-candidato à presidência dos Estados Unidos. Com uma trajetória de quem passou de “aluno mais burro da classe” a um neurocirurgião que entrou para a história da medicina, ele afirma:

carsonposing“Muitas pessoas hoje em dia assumem a mentalidade de vítima. Elas têm uma ideia limitada sobre as dificuldades – porque a mentalidade de vítima é exatamente isso. É uma visão de mundo curta, egocêntrica e limitada, onde as lentes zoom de sua atenção ficam tão focalizadas nos obstáculos mais próximos e imediatos que não conseguem ver mais nada. As pessoas com esse foco ficam tão prostradas com suas dificuldades que se sentem paralisadas e impotentes. Então, como não se sentem responsáveis pelos obstáculos aparentemente insuperáveis que as rodeiam, não assumem a responsabilidade de resolver esses problemas. Afinal, elas são ‘vítimas’ – então alguém vai ter de dar um jeito nas coisas.”6

Apesar de tudo isso, é possível que alguém ainda considere a iniciativa dessas campanhas como algo positivo. “Ao menos isso está contribuindo para a formação de um ambiente onde os alunos se tratam com mais respeito”. Ouso dizer que não, não está. Esse ambiente é temporário por uma razão bem simples:

  1. As campanhas antibullying focam nos sintomas, não no problema

Nossa tendência, como educadores, é tratar as situações buscando sempre resolver o problema externamente mas não, ou muito pouco, lidar com a raiz interna, com a causa.

Quando tratamos sobre o tema em escola, assim como na mídia, geralmente nos atemos ao perfil do agressor e no que fazer para que eles deixem o comportamento agressivo. Ora, o prazer daqueles que zombam e agridem é exatamente ver o resultado de suas ações: alguém irritado, envergonhado ou chorando. E isso de fato demonstra que essa pessoa tem problemas que precisam ser resolvidos. Mas precisamos ir mais longe nisso.

O que raramente acontece é uma preocupação com as características comuns às crianças que são consideradas vítimas. É a esse ponto que eu chamo aqui de “o outro lado do bullying”: o que leva uma pessoa a se tornar o que é entendido como “vítima do bullying”?

Por que será que algumas crianças e adolescentes, a despeito de suas características Presentefísicas ou intelectuais, não se tornam alvo de ofensas e brincadeiras constrangedoras? Ou, quando são, por que isso não evolui para um caso de bullying? E por que será que algumas, não importa onde estejam e para quantas escolas se mudem, sempre acabarão sofrendo pelos mesmos motivos? A questão é que o bullying não “pega” em alguém que se sente seguro sobre quem é e não admite certas atitudes. A postura que uma pessoa assume define, em grande parte, a forma como os outros se relacionarão com ela.

Alguém já parou para pensar que, quanto mais indefesa uma pessoa está, maior a chance de que ela se torne uma vítima? Fico com o pensamento de que, quanto mais pessoas souberem se defender, menor será o número daqueles que praticam a violência.

Nesse ponto, a série “Eu amo quem sou” parece acertar em olhar para o problema buscando mudar as atitudes da pessoa que sofre o bullying – o que seria ótimo se não fossem todos os outros problemas da abordagem escolhida pelo programa.

Não se trata de dizer que o sofrimento da criança ou adolescente que sofre bullying não deve ser levado em conta. Muito pelo contrário; ele DEVE. Especialmente para entender por que razão essa criança aprendeu a sofrer dessa forma.

Embora a chamada baixa autoestima seja considerada como resultado da prática do bullying, creio que seria muito importante considerar que as agressões e ofensas geralmente só intensificam e agravam um pensamento que por alguma razão já estava lá: eu me sinto inferior aos outros e não sei como lidar com isso. Aprender a olhar para si mesmo da forma correta é um grande desafio.

E, ao contrário do que parece, essa ênfase na condição de vítima, ao invés de ajudar, está aí para, muito mais, reforçar o trabalho que tem sido feito com maestria pela nossa sociedade atual:

  1. A formação de uma geração hipersensível, extremamente frágil e incapaz de lidar com conflitos.

Quem pode imaginar, nos dias atuais, um pai ensinando ao seu filho com palavras como essas?

Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida:

Viver é lutar.

A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar.

 O poema Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, deve passar longe da maior parte das casas e salas de aula em nossos dias. (“Lutar” seria, no máximo, saber gritar e quebrar tudo para garantir seus direitos). É isso praticamente o que temos buscamos o tempo todo: diminuir ao máximo os problemas e esforços que podem causar algum desconforto ou incômodo às crianças para que elas sejam felizes. E afirmo sem medo de estar errada que estamos causando a elas um mal muito, muito maior.

Dalrymple defende que muitos problemas que vivemos hoje se devem ao o abandono de uma virtude cardeal, a Fortaleza, como ideal cultural.

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Temperança, Prudência, Fortaleza e Justiça – as virtudes cardeais

Pouco se fala hoje, infelizmente, sobre as virtudes cardeais: temperança, prudência, justiça e fortaleza; essa última sendo aquela que, segundo Lewis, abarca os dois tipos de coragem – a que nos leva a enfrentar o perigo e a que nos leva a suportar a dor”.7 Assim, uma pessoa que nunca desenvolveu a fortaleza seria exatamente o oposto disso: incapaz de enfrentar o perigo e incapaz de suportar a dor.

O que a maior parte das pessoas, inclusive – se não principalmente – os educadores, não parecem perceber, é que coibir e anular qualquer expressão de agressividade e ofensa entre as crianças e adolescentes, embora pareça a coisa certa a se fazer, acaba produzindo mais problemas.

O primeiro é o de impedir que aprendam a expressar corretamente a ira e agressividade quando necessário. Ora, mas que coisa absurda, dizer que a agressividade é necessária! Pois é. Nossa cultura diz que não. Mas veja que interessante: dizem os especialistas que um dos problemas do bullying é que algumas crianças, as chamadas testemunhas,  assistem às agressões sem tomar providências a respeito, mesmo não concordando com a situação. Mas veja: se passamos o tempo ensinando que toda agressividade é ruim, como podemos esperar que eles sejam agressivos o bastante para se opôr à maldade e à violência? Como Lewis já dizia, há muito tempo:

“Produzimos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Caçoamos da honra e nos chocamos ao encontrar traidores entre nós. Castramos, e ordenamos que os castrados sejam férteis.”.8

Outra coisa que as pessoas parecem não perceber é que proteger as crianças simplesmente proibindo as demonstrações de agressividade contra elas é o mesmo que colocar uma redoma de vidro ao redor de uma the_broken_three_by_spartan19-d5lqy71planta, impedindo que os ventos e intempéries da vida fustiguem seu caule. Ela crescerá, mas quando você tirar a redoma, a primeira chuva será o bastante para quebrá-la ao meio.

Você pode tentar qual caminho for, mas a verdade é que são as dificuldades e conflitos da vida que forjam um caráter forte – desde, é claro, que você tenha aprendido a desenvolver sua força em meio às dificuldades, e não a fugir delas. E, se a solução é abolir o bullying, quem vai ensinar as crianças a reagir apropriadamente às zombarias e ofensas? E como elas aprenderão a ser agressivas da forma correta? E se não vamos ensinar, o que eles farão quando precisarem lidar com tudo isso na vida lá fora?

Alguém poderá argumentar: “Você sabe disso como pessoa adulta, mas uma criança ainda não tem maturidade para lidar com os problemas dessa forma”. Bem pensado; exceto pelo fato de que, se você não ensinar isso agora, quando ele ainda é uma criança, pode ter certeza de que não será por um passe de mágica que ela aprenderá a lidar com isso quando crescer. Quem não conhece casos de adultos que vivem ressentidos com tudo, que sucumbem e desistem face à menor dificuldade nos relacionamentos e trabalho, ou são incapazes de entrar em uma discussão e defender seu ponto de vista sem se sentir profundamente ofendido por aqueles que ousaram discordar deles?

Pois bem, mas apontar os problemas é fácil. E a solução?

Lidando com o problema

Como eu já não tenho mais a pretensão de resolver os problemas do mundo, vou dizer como eu lido, na sala de aula, com essa questão:

1 – Não uso o termo “bullying” com meus alunos. Uso os termos “respeito” e “dignidade”.

Primeiro porque, como já disse, tenho várias razões para não gostar de tudo o que a palavra “bullying” traz consigo. Segundo porque, ao contrário do que pode parecer, eu me preocupo sim com meus alunos. Muito. Tanto com aqueles que demonstram tendências agressivas impróprias quanto com os que tendem a ver a si mesmos como vítimas. Na minha visão, ambos precisam de orientação. E, se uma criança chama a outra de “imbecil”, por exemplo, isso não é um caso de bullying, porque foi um caso isolado, mas um caso de desrespeito, e assim será tratado.

Como trabalho em uma escola confessional, tenho liberdade para ensinar aos alunos a partir da visão cristã. O que tento explicar a eles, durante todo o ano, é que ninguém é obrigado a gostar de ninguém; você gosta de quem você bem quiser. Mas existe um conceito que conhecemos como “Imago Dei” – todo ser humano foi criado à imagem de Deus – e por essa razão, ainda que você não encontre no outro nada que o faça merecedor de respeito (o que, convenhamos, é raro), você precisa saber que ele carrega consigo a imagem de Deus e isso é razão suficiente para que ele mereça ser tratado com dignidade. Foi assim que nasceram os diretos humanos e é assim que trataremos uns aos outros em sala de aula. E, garanto, falar sobre isso em sala é muito mais profundo e belo do que falar sobre bullying.

2 – Eu uso todas as oportunidades possíveis para falar sobre identidade e fortaleza

Uma frase que eu preciso repetir várias vezes ao longo do ano é “O que os outros dizem não definem quem você é.” Geralmente aqui entra, mais uma vez, o conceito de “Imago Dei” e muitas vezes lembro às crianças de que elas foram criadas por Deus, que suas características físicas foram planejadas por Ele e que seu caráter é o que importa acima de tudo. Quando uma criança aprende a valorizar mais o caráter do que as aparências, sua preocupação com o que os outros dizem diminui consideravelmente.

Uma história que eu gosto demais para trabalhar isso está em um livro infantil chamado “Você é Especial”, do Max Lucado. Quando estava falando sobre esse assunto, anos atrás, minha diretora me falou sobre essa história. Confesso que torci o nariz no começo, tanto pelo título quanto pelo autor, mas preciso reconhecer que a história é muito boa e faz muito sentido.

É claro que, em uma criança insegura sobre si mesma, esta maturidade não surgirá em um dia, mas por meio de um longo processo que busque ensiná-la, de forma intencional, a compreensão da sua identidade.

3 – Eu procuro ensinar os alunos a lidar com suas emoções

Lewis afirma, em “A abolição do homem” – outro livro essencial para quem realmente quer lidar com o problema – que a tarefa educacional é “treinar os alunos para que desenvolvam as reações em si mesmas apropriadas, quer eles as tenham quer não, e construir aquilo que constitui a verdadeira natureza humana”.9

Não tenho uma “aula sobre emoções”, mas quando, por exemplo, uma criança chora porque o outro pegou seu lápis sem pedir, eu explico que ele não está reagindo da forma adequada ao problema. “Seu amigo errou em pegar o lápis e você errou em chorar, porque essa não é uma boa razão para chorar.”

Parece uma atitude dura, mas algumas crianças realmente são extremamente irritáveis, de forma que ninguém pode dizer nada sem que se exasperem. E é muito bom quando elas aprendem a reagir da forma adequada às situações. Trago Dalrymple novamente: “A questão não é se deve haver emoções, mas como, quando e em que grau elas devem ser expressadas, e que papel elas devem desempenhar na vida humana.”10

4 – Eu uso, tanto quanto possível, a literatura – a BOA literatura.

A tarefa de treinar as emoções está diretamente ligada com a educação da imaginação – e ninguém faz isso tão bem quanto a boa literatura. Digo boa porque considero que a maior parte dos livros disponíveis voltados para as crianças e adolescentes são pobres em sentido, em qualidade literária e em beleza, e realmente acho que não ajudam em quase nada.

Mas veja o caso do livro que estudamos durante todo o ano em sala, “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, de Lewis. Edmundo, um dos quatro irmãos que vivem a grande aventura da história, é um menino que “gostava de bancar o mau” e fazer coisas mesquinhas, como humilhar sua irmã mais nova, Lúcia. No entanto, na terra de Nárnia, seu caráter é posto à prova e ele demonstra ser egoísta e fraco.

narniaNo decorrer dos capítulos, enquanto os alunos ouvem e pensam sobre a história, eles passam a conhecer muito bem cada uma das personagens. E, sem sombra de dúvidas, nenhum  deles admira Edmundo nem gostaria de ser quem ele foi, mesmo ele tendo passado por uma grande mudança de caráter. Além de Aslam, a quem as crianças amam, a pessoa a quem eles mais admiram é “Lúcia, a Destemida”.

E este é só um exemplo de como as histórias podem influenciar fortemente o caráter e a identidade das crianças e adolescentes.

Pois bem, essas são, então, minhas sugestões:

Para professores, pais, e todos os que trabalham com a educação, que substituam a série do Fantástico – bem como outras reportagens no estilo – pelas obras de Theodore Dalrymple, C.S. Lewis e Douglas Wilson (este último, embora não tenha citado no texto, é ótimo para pensar a relação entre as campanhas antibullying e a deformação da masculinidade.) Sim, é bem mais fácil assistir a vídeos de curta duração e cheios de lágrimas do que ler esses e outros livros, mas afinal nós somos professores, sacos de batatas ou o que, gente?

Para as crianças e adolescentes, que substituam as campanhas contra o bullying por projetos sólidos de ensino a partir da boa literatura. Que encham suas vidas com toda a riqueza das Crônicas de Nárnia, a coragem tão presente em O Hobbit e O Senhor dos Anéis, os belíssimos e admiráveis valores que marcam as personagens das obras de Jane Austen, e todas as virtudes encontradas nos contos fantásticos. Que ao invés de olhar para si mesmos como vítimas, eles sejam ensinados a lutar pela honra, pela verdade e pela justiça. E que sejam educados para serem homens e mulheres valorosos, cheios de alegria, bondade e força.

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Ah, sim… A história que comecei a contar no início do texto aconteceu depois de um longo período ensinando a pequena a reagir adequadamente às provocações do colega. Naquele dia, quando ele a chamou de formiga, eu esperava mais um show de choro e braveza. Mas ela respirou fundo, se levantou da carteira, olhou para ele e falou alto:

“Fique sabendo que eu não sou uma formiga. Sou uma criança, exatamente igual você!”

E sentou-se de novo. Depois de um segundo de silêncio, todos da classe começaram a bater palmas. O amigo gozador, sem graça, não disse nada. Foi o começo de uma série de novas atitudes que ela começou a tomar. E foi quando eu decidi escrever o que pensava sobre o outro lado dessa história de Bullying.

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  1. http://g1.globo.com/fantastico/quadros/eu-amo-quem-sou/noticia/2015/11/alunos-tentam-virar-o-jogo-e-superar-o-bullying-em-escola-publica-do-rio.html
  2. RIGBY, Ken. New Perspectives on Bullying. London: JK Publishers, 2002, p. 11
  3. Idem, p. 15
  4. DALRYMPLE, Theodore. Podres de Mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico. São Paulo: É Realizações, 2015, p. 140
  5. Idem, p. 152
  6. CARSON, Ben. A grande visão. São Paulo: Editora Vida, 2001, p. 98
  7. LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. p. 104
  8. LEWIS, C.S. A abolição do homem. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. p. 24
  9. Idem, p. 19.
  10. DALRYMPLE, p. 78