Como posso educar o caráter do meu filho?

Os bons pais sempre estão preocupados em encontrar caminhos para educar da melhor forma seus filhos.

Existem, sim, aquelas pessoas que pensam que o importante é que seus filhos tenham sucesso acadêmico para “se darem bem” na vida. Essa é uma visão bastante pequena do que a criança precisa. Mas, como costumo dizer, o interessante é que mesmo que seu único objetivo seja oferecer aos seus filhos uma boa formação acadêmica para que eles sejam brilhantes, ainda assim a base seria a educação do caráter. 

Crianças que não foram ensinadas a ser fortes desanimam diante de qualquer dificuldade e não seguem adiante nos exercícios mais difíceis. Crianças que não foram ensinadas a ter autocontrole têm dificuldade em aprender porque não conseguem ouvir nem focar sua atenção em algo específico. Crianças que não foram ensinadas a assumir responsabilidades raramente levam a sério o que estão fazendo porque sabem que não haverá consequências caso não o cumpram.

Sem o devido trabalho de educação do caráter as crianças encontrarão dificuldades até mesmo em ser bons alunos.

Mas muitos pais sabem que boas notas não é o bastante. Enquanto cresce o número de notícias sobre tragédias e escândalos envolvendo corrupção, imprudência, descontrole emocional e desrespeito, muitos pais se preocupam e buscam respostas para saber como educar seus filhos para que sejam sábios, fortes e tenham disciplina para viver bem.

Em meio a tantas discussões sobre o tema, algumas iniciativas têm sido desenvolvidas com o objetivo de retomar o conceito de Educação do Caráter, baseada no princípio antigo de que o fim último da educação deve ser a aquisição dos atributos necessários para o pleno desenvolvimento humano, e não apenas o desenvolvimento cognitivo. A ideia de que não basta formar pessoas inteligentes; é preciso educar para que sejam sábias.

Esse é o sentido de flourishing. Na língua inglesa, essa palavra remete ao florescer da vida. No Português às vezes traduzimos como “vida próspera”, mas como a palavra “prosperidade” muitas vezes é relacionada com a questão financeira, acaba não explicando a ideia. Talvez “plenitude” seria uma boa tradução para isso. É a ideia de alguém que vive plenamente, distante dos problemas e vícios causados por má formação do caráter.

A palavra “caráter” (do grego, kharakter) indicava inicialmente a ferramenta utilizada para produzir marcas na pedra ou madeira. Posteriormente, seu uso passou a identificar a própria marca em feita por algum instrumento, uma reprodução perfeita do original. (É deste termo que surge a palavra caractere, usada para falar sobre cada símbolo que era impresso na folha por meio de um molde da máquina de imprensa ou máquina de escrever).

Na nossa vida, o caráter é a base de quem nós somos. Está ligado com a forma como fomos sendo moldados pelas situações que vivemos, princípios que adotamos e hábitos que formamos ao longo da vida.

Por isso, para educar o caráter de uma criança é preciso, antes de tudo, reconhecer que essa é uma questão moral. Uma questão de certo e errado – não apenas o que dizemos, mas antes de tudo a forma como agimos com a criança e as decisões que tomamos todos os dias na presença delas.

Quando estava na faculdade de Pedagogia, uns 15 anos atrás, me deparei com todos os nomes e termos que os educadores modernos usam para justificar os problemas da Educação.

Eu cresci aprendendo sobre as bases da formação do caráter de uma pessoa, mas na época da faculdade eu pensava que se os doutores da educação falavam era porque era assim. Quem era eu para questionar o que ensinavam? Então estudei e aprendi. 

Levei um tempo para começar a entender que não é porque um especialista diz uma coisa que aquilo é a verdade. Entender que precisava ir em busca de outros livros, não só aqueles que me passavam. Entender que a antiga visão que eu tinha sobre educação não era “ultrapassada”. Era sólida. Tinha milênios de resultados para comprovar sua eficiência. Como diria C.S. Lewis, “a educação antiga era uma espécie de propagação – homens transmitindo a humanidade para outros homens – a nova é apenas propaganda”. (A abolição do homem).

Mas foi só na prática da sala de aula que me deparei com a certeza de que a educação do caráter era o fundamento de todas mazelas apontados na educação. O problema da Educação é, antes de tudo, um problema moral. E, consequentemente, uma questão de cosmovisão: o que você pensa influencia as atitudes que você toma ao educar.

Mas, afinal, como posso educar o caráter do meu filho?

Bem, antes de tudo é preciso quais são as atitudes de caráter que precisam ser desenvolvidas. A essas atitudes nós damos o nome de VIRTUDES e ao seu oposto nós chamamos VÍCIOS. No senso comum um vício é apenas algo químico como o cigarro ou a bebida. Mas para os pensadores gregos a palavra vício dizia respeito a todo mau hábito formado e que a pessoa tem dificuldades em evitar. Por exemplo, o vício da preguiça, o vício do desânimo ou o vício da gula.

Alguns teólogos cristãos preferem usar a palavra pecado ao invés de vícios. A questão é perceber que se trata de algo que a criança – ou a pessoa adulta – já se acostumou a praticar e tem dificuldades em vencer.

Por isso, ao educar o caráter da criança, precisamos tomar consciência sobre quais são as áreas em que ela tem desenvolvido problemas de caráter – ou vícios – e trabalhar para ajudá-la a cultivar as virtudes que precisam como a Virtude da Fortaleza, para aprenderem a ficar firmes mesmo quando algo for difícil, ou a Virtude do Autocontrole, para aprenderem a controlar seus impulsos e agir conforme o que é correto, não conforme o que sentem vontade de fazer.

Aqui no site já trabalhamos algumas virtudes no Projeto Virtude do Mês. Agora, ao iniciar mais um ano da Academia Educar com Sapiência, vamos tratar de forma mais profunda sobre os problemas que corrompem e atrapalham a formação do caráter da criança, e como podemos lidar com isso em cada caso.

Nossas aulas, neste primeiro curso, serão essas abaixo. Em cada aula relacionaremos com as virtudes que podemos trabalhar com a criança. Por exemplo, ao falar sobre o mito da criatividade, falaremos sobre A Virtude da Obediência e como a autoridade dos pais pode formar filhos mais inteligentes do que aqueles criados no sistema de “liberdade criativa”.

As atividades da Academia Educar com Sapiência começam no dia 10 de março de 2020. Para saber mais é só clicar: Acesso Premium Academia – Inscrições Abertas.

Por que é tão urgente a Educação do Caráter?

Quanto tempo você diria que investe na educação do caráter das crianças?

Difícil mensurar, não é? Porque este é um trabalho que, em geral, fazemos de modo informal e sem muitos planos específicos.

Mas a verdade é que esta é a área que deveria exigir mais de nossa atenção e nosso trabalho com nossos alunos e filhos. Especialmente no caso dos filhos! Por muito tempo se disse que o mundo está cheio de pessoas inteligentes, porém não sábias. Extremamente hábeis em gerir empresas e fechar negócios, porém incapazes de lidar com os desafios da vida e dos relacionamentos.

E o problema é que as questões de caráter têm sido deixadas tão de lado na educação nas últimas gerações que o que vemos hoje são jovens com dificuldades até mesmo nas questões profissionais e nos estudos.

Não conseguem permanecer em um trabalho porque está “chato” e eles passaram a vida ouvindo que precisam “viver intensamente”, “seguir o coração”, “fazer o que te faz feliz“. Não conseguem nem mesmo lidar com as dificuldades dos estudos porque “esse professor não sabe ensinar de um jeito legal”. Nossas escolas estão cheias de crianças e adolescentes a quem é impossível ensinar simplesmente porque se recusam a seguir orientações e não conhecem nem de longe os princípios de autoridade e respeito.

É por essa razão que hoje temos um módulo todo só sobre a questão de educação do caráter no Curso Ensinar a Estudar. Porque quem trabalha com crianças e adolescentes hoje percebe muito claramente que antes de ensinar alguém a pensar é preciso retomar as questões mais básicas como ser forte diante das dificuldades, ser perseverante quando os resultados não saem como o esperado, e entender que a pessoa ali à sua frente é alguém a quem ele deve respeito.

As teorias modernas de educação insistem em formar “cidadãos críticos e conscientes” e agem como se a criança e o adolescente já tivesse maturidade bastante para criticar coisas que ele mal conhece. Mas depois, essa mesma sociedade que insiste em colocar a criança no centro do mundo, abdicando de seu papel de educar, ensinar e formar o caráter, desespera-se quando aquela criança se perde em seus caminhos de absoluta ausência de propósito na vida porque nada mais tem graça, resultando em rebeldia ou simplesmente falta de razão para viver.

Sim, uma das minhas prioridades é ensinar as crianças a pensar, formar seu intelecto trabalhando suas habilidades cognitivas e acadêmicas. Sim, sempre defendo que é preciso educar as crianças para que sejam inteligentes. Mas nada disso existe sem a devida base de educação do caráter. É preciso sim estabelecer objetivos específicos, trabalhar as estratégias para ajudar a criança em cada área que ela precisa desenvolver e seu caráter por meio do cultivo das virtudes que se sobrepõe aos vícios.

E essas não parecem ser, nem de longe, as questões que o Estado e os políticos estão preocupados em resolver. E, sinceramente? Não esperemos que façam isso porque é a nós que cabe essa responsabilidade.

Iniciaremos agora em maio os projetos da Academia Educar com Sapiência, voltados a ajudar pais e professores que desejam investir na educação da criança de forma integral, tendo como propósito não apenas “preparar para o mercado de trabalho”, mas formar homens e mulheres sábios, aptos a cumprir sua vocação, viver de forma plena e ser luz no mundo, com a graça de Deus.

A Academia é um projeto voltado para os alunos do Curso Ensinar a Estudar – as inscrições estão abertas até dia 26 de abril e as aulas e projetos têm início no dia 13 de maio.

Você quer fazer parte de uma educação que retoma as bases esquecidas da Educação? Venha caminhar conosco esta jornada!