A moda de “amor aos livros”

Seria o amor aos livros de fato uma coisa boa?

Venho pensando nisso há algum tempo. Porque me parece que gostar de livros se tornou um tipo de moda – é legal ser alguém que gosta de livros.

Um dos problemas que eu vejo nisso, especialmente no caso das crianças, é o fato de que é possível alguém gostar muito de livros e simplesmente não ler – o que, convenhamos, não adianta lhufas.

O outro problema é que o que tem de livro ruim nesse mundo não está no gibi, viu? Estava agora pouco lendo com um aluno que está em fase de alfabetização e fiquei incomodada com a baixa qualidade da escrita. É impressionante quanto a literatura infantil atual é voltada para proporcionar experiências às crianças – livro que toca música, abre mil janelas, faz e acontece. Minha pergunta é: não deveríamos estar muito mais preocupados com o conteúdo e  qualidade dos textos que oferecemos às crianças e que serão a sua base de formação literária? Não deveríamos avaliar mais severamente a estrutura utilizada na construção das frases, a riqueza do vocabulário e sonoridade que formarão seu repertório e consciência fonológica?

“Ah, mas a criança precisa ser atraída aos livros”. Concordo. Mas, sinceramente, o que tenho visto é que a maior parte das crianças permanecem, com o passar dos anos, com os livros “bonitinhos e fáceis”, sem evoluir para leituras mais consistentes e de melhor qualidade. E creio piamente nisso: as belas histórias têm o poder de atrair a atenção e a imaginação das crianças com força muito maior do que qualquer desenho supercolorido ou personagens estranhos.

Creio, então, que o amor aos livros é importante sim. Desde que as crianças sejam ensinadas a amar os livros certos. O livro fácil atrai, mas apenas de forma superficial. É a beleza que de fato encanta; porque embora sua nobreza exija do leitor certo esforço e perseverança, permite que a criança seja levada para os lugares onde a esperança mora – aqueles que, uma vez visitados, produzem no coração esse anseio pelo que é verdadeiro, belo e bom.

Concurso “O Fabuloso Leitor”

Em 2013 eu bolei um projeto de incentivo à leitura para fazer com os alunos, inspirado no que meus professores faziam quando eu era criança: o Passaporte de Leitura.
Eu sempre achava meio absurdo ver que meus alunos leem no máximo os três livros obrigatórios por ano, enquanto eu lia um por semana quando tinha a idade deles. E eu nunca acreditei nessa história de que eu sou exceção. O que eu acredito é que as crianças podem ir muito, muito longe se a gente não fica criando limites e baixas expectativas com a desculpa que eles “são só crianças”.
Pois bem. Até hoje não tinha conseguido colocar a ideia em prática, mas como esse ano uma mãe me perguntou se eu não tinha alguma ideia para eles lerem juntos, resgatei o projeto. Mas vai que me veio a ideia de fazer um concurso para dar como prêmio O Fabuloso Livro Azul que eles amaram tanto. A pontuação é feita por página lida, sendo que os livros clássicos ou com linguagem mais difícil valem mais.
Gente, os alunos estão lendo muito!!!rs Não todos estão tão empolgados, claro, mas tenho uma aluna (que nem gostava muito de ler) que em uma semana já leu “Vinte mil léguas submarinas” e “Viagem ao centro da terra”. Hoje precisei ir buscar mais livros na biblioteca, porque eles querem ler os mais difíceis.
O mais legal é que eles começam a ler por conta do concurso, mas vira e mexe alguém vem me dizer coisas como:
“Meu Deus! Esse Sherlock Holmes é muito inteligente!”
“Prô, olha esse poema desse tal de Carlos Drummond de Andrade aqui. Parece um trava-língua!”
“Gente, quem quer ler O Peregrino depois de mim? É muito bom!!”
E as mil perguntas: Prô, o que é uma espiriteira? O que é espadachim? O que é briófita? O que é uma légua? O que é proa?
E a frase melhor de todas: “Hoje à tarde eu nem vou pegar no celular porque quero saber logo o final.”
Praticamente o sonho da minha vida (um deles ao menos. =) !!!
o-fabuloso-leitor

O Fabuloso Livro Azul

“Prô, deixa um tempinho pra você ler o livro azul? Por favor!!”

Gente, é fabuloso mesmo esse livro! As crianças AMARAM as ilustrações, eu AMEI a linguagem, e todos – elas, eu e a Ana Lídia, que veio ouvir hoje – estamos AMANDO de paixão as histórias; até aquelas que terminam de um jeito diferente do que nos contaram.

Hoje eu li “O príncipe Jacinto e a Querida Princezinha”, que o William traduziu. Formidável! Todo mundo precisa ler essa história!

O livro azul

O Livro das Virtudes

Faz tempo que eu estou devendo para algumas pessoas uma lista de livros que eu recomendaria para crianças. Bom, ainda não fiz a lista, mas preciso falar sobre esse aqui: gente, esse livro é lindo!
Se você procura algo muito bom para ler com seus filhos, alunos, ou para ler só você mesmo, esse certamente é um tesouro!
São mais de 500 páginas com contos, poemas, fábulas e histórias bíblicas divididas em temas como Amizade, Perseverança, Coragem e Compaixão.
Tem Andersen, Tolstoi, Andrew Lang, contos tradicionais judaicos, chineses e mais um bocado de coisa boa.

– O Livro das Virtudes: uma antologia de William Bennett. Editora Nova FronteiraO livro das virtudes

Futuros Homens: criando meninos para enfrentar gigantes – Douglas Wilson

E então? Meninos e meninas devem ser educados da mesma forma? Como se forma o caráter de um homem de verdade? Acho esse assunto tão importante que fiquei extremamente feliz quando ouvi falar do livro “Futuros Homens”. Ainda nem li, mas já sei que é bom porque quem leu e recomenda é o Leonardo Galdino:

“Um Futuros Homensdos conceitos bíblicos mais preciosos que a igreja contemporânea precisa recuperar e comunicar com absoluta urgência a este mundo caído é o da masculinidade – a verdadeira, não a fingida (macheza, truculência). Ao longo dos últimos anos, sucumbimos diante do igualitarismo. Não conseguimos responder ao feminismo sem temer a pecha de “machista!”. Em outras palavras, não fomos suficientemente… viris. Nesse sentido, a leitura do livro pastor Douglas Wilson é mais que oportuna: é obrigatória. Ou recuperamos a masculinidade em nossos lares, ou mergulharemos de vez no mar sem fim do paganismo.

Ao longo de suas duzentas e onze páginas, o autor vai mostrar que a fé cristã não exclui expressões de virilidade como crianças brincando com armas de plástico; pelo contrário, ela as afirma. Afinal de contas, Jesus Cristo é aquele que matou o dragão, a antiga Serpente. Como filho de Davi, ele subjugou e derrotou o Golias da sua época (Lc 11.21-22). Homens precisam aprender que o mal deve ser combatido, e isso deve começar desde a mais tenra idade. Mas o livro não se limita a isso. Wilson trabalha questões como, por exemplo, bons modos para com as moças. O guerreiro, acima de tudo, é um gentleman. Seus pais tem a responsabilidade de prepará-los para serem bons maridos. A questão da liberdade cristã também é outro tema que permeia a obra. E se o garoto desejar fumar e beber, como os pais devem reagir? O pai deve ensinar seu filho a beber? Para o autor, somente Deus é o Senhor da nossa consciência, e essas coisas não são, em si mesmas, um mal. Mas é possível detectar algumas expressões de idolatria nos filhos em relação ao usufruto de sua liberdade. A verdadeira liberdade é serva. “Quando um filho exige liberdade para fins pessoais, pode estar certo de que alguém sairá prejudicado”, diz. O único ponto realmente controverso do livro é, a meu ver, a visão pedocomunialista (crianças participando da Ceia) do autor, no capítulo sobre Igreja e Culto (cap. 11). Mesmo assim, há muitas percepções dignas de apreciação e reflexão. Em muitos assuntos (e textos bíblicos), o autor consegue tirar leite de pedra.

A leitura é por demais agradável. Percebe-se nitidamente que o autor não foi disciplinado apenas nos livros de teologia, mas sobretudo nos de literatura (a boa literatura, diga-se). Não à toa, o capítulo de que mais gostei foi o 12 (“Gigantes, dragões, e livros”), no qual ele defende a importância do exercício da imaginação (Tolkien, Lewis, Bunnyan) para a formação do homem bíblico.

Mais do que recomendada, a leitura desse livro é, repito, obrigatória. O Centro de Literatura Reformada (CLIRE) está de parabéns por essa publicação em português (2013).”

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Aqui, o próprio Douglas Wilson explicando o que o levou a escrever o livro:

A abolição do homem

“A abolição do homem” é um livro pequeno e impressionante. C.S.Lewis trata, aqui, de questões que há muito tem sido esquecidas pelos educadores e que merecem nossa atenção e estudo.

Alguns trechos extraídos da edição de 2012, Editora Martins Fontes:

“Creio que Gaius e Titius* sinceramente entenderam errado a urgente necessidade pedagógica do nosso tempo. Eles veem o mundo ao redor dominado pela propaganda emotiva – aprenderam com a tradição que a juventude é sentimental – e concluem que a melhor coisa a fazer é fortalecer a mente dos jovens contra a emotividade. A minha própria experiência como professor me ensina justamente o contrário. Pois, para cada aluno que precisa ser resguardado de um leve excesso de sensibilidade, existem três que precisam ser despertados do sono da fria vulgaridade. O dever do educador moderno não é o de derrubar florestas, mas o de irrigar desertos. A defesa adequada contra os sentimentos falsos é inculcar os sentimentos corretos. Ao sufocar a sensibilidade dos nossos alunos, apenas conseguiremos transformá-los em presas mais fáceis para o ataque do propagandista. Pois a natureza agredida há de se vingar, e um coração duro não é uma proteção infalível contra um miolo mole.” p. 12

“A operação do Livro verde  e seus semelhantes é produzir o que podemos chamar de Homens sem Peito. É abominável que não raro deem a isso o nome de Intelectuais. Isso lhes dá a chance de dizer que que os ataca, está atacando a Inteligência. Não é verdade. Eles não se distinguem dos demais homens por uma habilidade especial para encontrar a verdade nem por um ardor insuperável ao persegui-la. Seria de fato estranho se assim fossem: uma perseverante devoção à verdade, um sentido agudo de honra intelectual não podem ser mantidos por muito tempo sem a ajuda dos sentimentos que Gaius e Titius desmascarariam com a facilidade habitual. Não é o excesso de pensamento que os caracteriza, mas uma carência de emoções férteis e generosas. Suas cabeças não são maiores que as comuns: é a atrofia do peito logo abaixo que faz com que pareçam assim..

E todo o tempo – tal é o caráter tragicômico da nossa situação – continuamos a clamar por essas mesmas qualidades que tornamos impossíveis. Mal podemos abrir um periódico sem topar com a afirmação de que nossa civilização precisa de mais ‘ímpeto’, ou dinamismo, ou auto-sacrifício, ou ‘criatividade’. Numa espécie de mórbida ingenuidade, extirpamos o órgão e exigimos sua função. Produzimos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Caçoamos da honra e nos chocamos ao encontrar traidores entre nós. Castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis.”p. 23-24

*Nomes fictícios dados por Lewis aos autores do livro didático, a que ele denomina ‘Livro Verde’, e cujo teor ele analisa no decorrer dessa obra.