Como estudamos as virtudes?

“Mamãe, a senhora lê mais um pouquinho do livro O vento nos salgueiros? Por favor, só mais um pouquinho!” (Súplica do Felipe, nosso mais novo participante do Valores e Virtudes, em um vídeo engraçado que me mandou a sua super dedicada mamãe Sara).

Essas reações das crianças me animam muitíssimo naqueles momentos em que a gente pensa “Mas será que é este o caminho? Será que isso tudo vale a pena?”.
Então, já que estou reanimada, queria explicar sobre uma questão.
Recentemente eu recebi uma pergunta sobre a forma como trabalhamos as virtudes nesse programa, se eram ensinadas todas de uma vez.
Sim. São dezesseis virtudes e elas se repetem ao longo de todos os livros e histórias. Permitam-me explicar o porquê.
Uma das diretrizes mais importantes desse programa é deixar que a história cumpra o seu papel. Vejam: as boas histórias já possuem em si o “poder” de falar ao nosso coração por meio daquilo que nós chamamos de imaginação moral.
Nossa ideia é não tornar a história um instrumento para ensinar virtudes ou reprovar os vícios, porque não queremos que as crianças associem a leitura com uma aula sobre isso ou aquilo, mas que aprendam a desfrutar da narrativa e “ouvir” o que ela tem a dizer. Se queremos despertar nas crianças o amor pela leitura, precisamos deixar seu caminho livre para que vejam, de fato, a história. (Que é o oposto do que fazemos na escola, quando tornamos a Literatura apenas mais uma disciplina a ser estudada, destrinchando os livros em questões de Gramática, estudo das escolas literárias e tantas análises morfológicas e sintáticas que as crianças e adolescentes não conseguem nem ver graça na própria história).
Então o que nós queremos é apenas ajudar as crianças a, como eu disse recentemente, “aprender a ler com o coração”. Isso quer dizer: que aprendam a perceber não só os encantos e aventuras vividos pelas personagens, mas também os tesouros que as histórias possuem e que podemos trazer para nossa própria vida.
É por isso fazemos o trabalho apenas por meio das conversas e perguntas para que elas percebam as virtudes e vícios surgindo da história e não o contrário. E é por isso que muitas vezes eles acabam percebendo questões que eu mesma não vi enquanto preparava a lição, nem os pais perceberam enquanto liam (e, sinceramente, quando isso acontece é quando eu fico mais feliz).
Agora, é claro que cada história tem uma ênfase maior em alguns vícios ou virtudes específicos. “O vento nos salgueiros” fala muito sobre amizade, serviço, bondade, humildade e outras virtudes mais voltadas aos relacionamentos.
Já “O jovem fazendeiro”, que nós vamos estudar em maio, é uma história que nos leva a pensar sobre a Fortaleza, o Trabalho, a Diligência… Aliás foi por isso que decidi colocar esse livro no Valores e Virtudes enquanto o lia no ano passado. Porque ao ler eu senti vergonha ao perceber quanto até as crianças trabalhavam arduamente naquele contexto, e percebi quanto eu mesma precisava aprender a reclamar menos e me esforçar mais.
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Se você se cadastrou para receber mais informações lá na página, fica de olho no email porque, se Deus quiser, ainda hoje eu enviarei para todos sobre o próximo mês, tá? (Se ainda não se cadastrou e quer saber como funciona, é só entrar lá: Programa Valores e Virtudes.

Yuri, o menino cristão na Rússia soviética.

Yuri e o segredo da valiseGente!! Estava aqui preparando uma lista com indicações de bons livros de ficção que contam histórias vividas por cristãos (uma ideia que me veio à mente quando a Lilian Paizam me perguntou a respeito de obras indicadas para a biblioteca que eles estão montando na igreja).

Pois bem. Acontece que enquanto eu pensava, me lembrei dessa série antiga da Editora Betânia. As histórias de Yuri foram escritas por Myrna Grant e contam os dramas que ele, seus amigos e família viviam para sobreviver como cristãos na Rússia soviética. É da mesma autora o livro que conta a história real de Ivan, um soldado cristão que foi torturado por sua fé e foi morto pelas autoridades do governo comunista em 1972, aos 20 anos. Alguém já leu?

Agora vejam… Essas histórias me marcaram MUITO quando eu era criança e estava pensando agora que talvez a leitura desses livros tenha sido um dos fatores que me impediu de, mais tarde, no Ensino Médio, ser convencida de que o comunismo poderia ser uma coisa boa.

Porque quando você lê um livro, sua imaginação te leva para lá e você vive quase tudo junto com aqueles personagens. E como alguém poderia “ver de perto” tudo aquilo e mais tarde acreditar que tudo isso de socialismo e comunismo poderiam ser uma boa ideia?

É por isso – e por outros exemplos – que eu realmente concordo com aqueles que afirmam que as histórias que você ouve e lê desde cedo são o que moldam, em grande parte, a forma como você enxergará o mundo e a vida. E creio que nutrir a imaginação das crianças com as boas histórias poderá fazer, por elas, muito mais do que somente os ensinos de “faça isso, não faça aquilo” (ressaltando que de forma alguma desprezo o ensino; só creio que as histórias são o que o tornam ‘vivo’ em nossos corações).

Infelizmente esses livros não são mais publicados e só podem ser encontrados nos sebos. Eu mesma gostaria de ter essa série, mas não tenho nenhum.

Mas existem outros livros e outras histórias… Voltemos a elas! E permitamos que as crianças e adolescentes as conheçam e tenham as grandes verdades impressa em seus corações!!