Cristãos que influenciaram a cultura e mudaram o mundo

* Texto elaborado para apresentação da palestra “Aprendendo com cristãos que produziram cultura e mudaram o mundo” no 21º Workshop da AECEP em 2012

Quem são os heróis do nosso tempo? Quem são os heróis do Cristianismo?

Embora Jesus seja nosso modelo por excelência, todos nós buscamos em pessoas que marcaram a História inspiração e referência para a forma como viveremos.

Muitas pessoas, em nossos dias, seguem seus caminhos numa rotina cansativa e apagada, lutando com dores e sofrimentos sem perspectiva de que o futuro seja de alguma forma melhor. Vivemos em um mundo desencantado.

E os cristãos, o que têm feito? Agraciados com a visão cristã que nos permite conhecer os princípios de Deus para uma vida plena, de que forma temos usado isso para oferecer caminhos que transformem realidades no mundo – e não apenas no mundo dos cristãos?

Como educadores e líderes cristãos, nossa missão não é apenas transmitir conhecimento acadêmico e bíblico, mas formar uma geração que influenciará e transformará sua cultura com base em uma cosmovisão cristã, reencantando o mundo para a glória de Deus.

Sob esta perspectiva, quem são os homens e mulheres que podemos apresentar como modelo de conduta?

  1. Um mundo desencantado

 Os homens se afastaram de Deus – e esta não é nenhuma novidade. Desde o evento da Queda no Jardim do Éden essa é a tendência natural da humanidade: se afastar de Deus.

Podemos dizer que houve tempos em que os preceitos de Deus revelados por meio da sua Palavra eram a referência e o padrão que orientava o pensamento e a vida humana. Mesmo que os corações estivessem distantes de Deus e seu amor, havia uma consciência da Sua Soberania e respeito aos Seus princípios.

No entanto, com seu imenso desejo por ser o senhor de si mesmo e determinar o curso da sua própria vida, o homem ocidental renunciou de forma deliberada ao padrão que Deus estabelecera para as diversas dimensões da vida. Especialmente a partir do movimento conhecido como Renascimento Europeu, que buscou romper de forma drástica com tudo o que se relacionava às práticas e pensamentos da Era Medieval e os preceitos religiosos, o homem passa a ser visto como o centro do universo: um ser autônomo, livre, racional, poderoso para criar e decidir, por meio das provas científicas, o que seria ou não real e bom.

Deu-se início então aos sistemas, às descobertas, às produções científicas e ao avanço técnico. E a tão almejada autonomia – assim como uma criatura que se volta contra seu criador – se tornou, ela mesma, a grande vilã da liberdade humana. Na mesma medida em que o mundo se desenvolvia tecnologicamente, outras dimensões da vida foram sendo destruídas: os recursos naturais, os relacionamentos, a sensibilidade e o privilégio de criar e construir com suas próprias mãos.

E o homem se tornou uma vítima do sistema que ele mesmo criou há tempos atrás. Os grandes centros urbanos demonstram essa realidade de forma intensa e real. Centenas de pessoas andando apressadamente, rostos com expressões duras e olhar cansado, isoladas em seu próprio mundo como se estivessem sozinhas ali. A poluição destrói a meio ambiente, a saúde e a vida. Na busca por satisfação e sentido, as drogas e os males que geram violência e sofrimento.

Num ato desesperado de sobrevivência tenta-se agora desfazer o mal. Campanhas e mais campanhas para restaurar ao menos as possibilidades de uma vida sem dor. E depois de tanto insistir em tornar o homem o centro do mundo, hoje se comenta sobre a necessidade de “humanização no atendimento” porque até a consciência do valor humano se perdeu.

O mundo – aqui entendido como a humanidade, as pessoas em geral, em sentido indefinido; os costumes e maneiras dos homens, a prática da vida; os habitantes da Terra, a raça humana; tudo o que o mundo contém” (Webster,1928) – vive hoje em estado de desesperança e desencanto.

E qual tem sido a atitude dos cristãos diante desse quadro? O que temos feito para restaurar no mundo os sinais da glória de Deus?

2. A missão do cristão

 Não se pode fugir dessa realidade. Não podemos viver nossa rotina sistemática fingindo que não é esse o mundo em que vivemos. Não podemos renunciar à tarefa de ser o bálsamo que as mãos de Deus, em Sua Graça, derramam para curar e trazer alívio.

Ao pronunciar o Sermão do Monte, Jesus diz, de forma clara:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mateus 5:13-16)

E é pensando nisso que precisamos trabalhar como educadores cristãos. Transformar vidas que transformarão outras vidas para a glória de Deus. Para que isso aconteça, não podemos simplesmente ensiná-los a ser cristãos e viver longe do “mundo”. Precisamos sim, ensiná-los a viver como cristãos no mundo, agindo de forma sábia de forma que a cultura seja influenciada por sua fé e os princípios de Deus sejam novamente restaurados na sociedade.

Essa, no entanto, não é uma tarefa simples. Primeiramente, porque muitas vezes os próprios educadores não valorizam essa missão. A atuação cristã é reduzida às atividades que se relacionam à igreja local e seus ministérios e não com a vida de forma integral. Age-se como se houvesse duas realidades, uma espiritual e outra não.

Assim, nossa atuação no mundo se limitaria às horas que passamos no trabalho, necessário para nos mantermos vivos, e em eventuais atividades que sejam úteis para alcançar um alvo evangelístico.

Em seu livro A mente cristã em um mundo sem Deus, White destaca:

Embora poucos cristãos estejam abraçando a dinâmica e a prática verdadeira da Grande Comissão, é menor ainda o número de pessoas que assumem a missão cultural inerente a ela. Retraímo-nos, com demasiada frequência, para dentro da nossa própria subcultura cristã, com livros, revistas, estações de rádio e adesivos de para-brisa ensimesmados, enfiando a cabeça na areia sem nos dar conta do mundo que nos cerca. (White, 2010)

No entanto, quando se reconhece que o propósito primordial da vida é a glória de Deus, torna-se claro que a Grande Comissão não foi o único mandamento a bíblia ensina. Em Cristo, o princípio e fim de todas as coisas, Deus reuniu toda a plenitude e reconciliou consigo mesmo todas as coisas!

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz. (Colossences 1:14-20)

Não apenas as coisas invisíveis, mas todas as coisas, inclusive tronos e soberanias, poderes e autoridades. Todas as coisas foram criadas por Ele e existem para Ele! Como declarou de forma intensa Abraham Kuyper:

 Nem um único espaço de nosso mundo mental pode ser hermeticamente selado em relação ao restante, e não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!(Kuyper apud Carvalho, 2009, p.57)

É uma verdadeira batalha espiritual (Carvalho, 2010). A luta, mais do que pela posse de indivíduos, é pela posse de diversos âmbitos da vida que pertencem ao domínio de Cristo, a quem, um dia, todos – inclusive aqueles que se rebelaram contra Sua soberania – se renderão.

Se essa visão não for claramente transmitida, os alunos aprenderão que precisam somente se manter a salvo das influências do mundo, sem perceberem que a melhor forma de fazer isso é sendo eles mesmos uma influência e agentes de transformação da cultura que os cerca.

Mas o que seria essa cultura? E de que forma o cristão pode se tornar atuante?

4. O cristão e a cultura

 A palavra cultura tem diversas interpretações diferentes. O dicionário Webster a define como “o ato de lavrar e preparar a terra para as culturas, cultivo, a aplicação de trabalho ou outros meios de melhoria. A aplicação do trabalho ou outros meios para melhorar as boas qualidades, ou crescimento, como a cultura da mente, a cultura da virtude.” (Webster, 1928).

Com o passar dos anos, além do processo de cultivo, o termo passou a ser associado mais especificamente ao “estado de ser cultivado, resultado do cultivo, civilização”. (Webster, 1913).

Lemos em Gênesis que, ao terminar sua obra criadora, “o Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.” (Gênesis 2:15). Conhecido como o mandato cultural, este mandamento implicava não apenas em dar nome aos animais, mas em um trabalho que envolvia esforço e criatividade com o propósito de desenvolver os potenciais da criação.

A ordem de cultivar e dominar a terra foi dada ao homem antes mesmo da queda. Ou seja, ao contrário do que muitos ainda pensam, o trabalho em si não representa um castigo, mas o privilégio dado por Deus ao homem de participar, planejar e desenvolver a criação juntamente com Ele.

Assim, os resultados do trabalho do homem ao cultivar a terra, se convertem em uma cultura que glorifica a Deus. Nas palavras de Rojas (2009), “os homens cultivam o jardim, criam a cultura e, assim, rendem culto ao Criador no cotidiano da vida humana”.

Podemos dizer que cada ocupação e atividade humana participam, de alguma forma, na produção de uma cultura que influenciará direta ou indiretamente o modo de vida das pessoas que interagem com ela. Vivendo em meio às dores que assolam o homem, cada cristão deveria se empenhar na produção de uma cultura que resulte em justiça e esperança ao mundo. Como declara Wolterstorff (2002):

A ideia não é que tudo na vida de um cristão é diferente. A ideia é, ao contrário, que nenhuma dimensão da vida está fechada para a transformação do Espírito – desde que nenhuma dimensão da vida está fechada para a devastação do pecado… O escopo da redenção divina não é apenas a salvação da alma, mas a restauração da vida – e mais do que isso: a restauração de toda a criação. Redenção é para a plenitude. (Wolterstorff, 2002, p.11)

E nesse sentido a vida cristã implica não apenas em falar de Cristo para as pessoas, mas também em questionar-se como é possível desenvolver sua vocação profissional a partir de uma cosmovisão cristã, de forma que a fé seja base para uma contribuição real à sociedade e que restaure no mundo a glória de Deus e seus propósitos para as dimensões da vida.

E como educadores cristãos, como podemos transmitir esses princípios aos alunos que participam e participarão da formação de uma cultura?

5. Modelos inspiradores

 “Se desejamos inspirar uma geração no caminho de um mundo mais profundo e encantado, deve-se aprender com os grandes exemplos do passado.” (Souza, 2011).

Na metodologia de ensino da Educação por Princípios encontramos o estudo de biografias como uma importante ferramenta pedagógica por sua eficácia ao oferecer aos alunos modelos que possam se tornar referência e por “apresentarem pessoas dignas de serem imitadas, por serem imitadoras de Cristo”. (AECEP, 2010, p.120).

Termo cuja autoria é atribuída a Damaskios no século V a.C.[1], a palavra biografia é definida por Webster como “a história de vida e caráter de uma pessoa em particular” (Webster, 1928). A partir desta definição, outras podem ser observadas:

Caráteras qualidades peculiares, impressas pela natureza ou hábito em uma pessoa, que a distingue de outros estes constituem caráter real; as qualidades que ele deve possuir constituem seu caráter estimado, ou reputação. Por isso dizemos que o caráter não é formado quando a pessoa não adquiriu qualidades estáveis e distintas. (Webster, 1928).

HistóriaUm relato dos fatos, em particular de fatos referentes a nações ou estados; uma narração de acontecimentos na ordem em que eles aconteceram, com suas causas e efeitos. Um relato da origem da vida e as ações de um indivíduo. (Webster, 1928).

É interessante a análise do professor Jonaedson Carino em seu artigo A biografia e sua instrumentalidade educativa. Segundo ele, as biografias exercem um certo tipo de fascínio sobre os indivíduos da sociedade atual, especialmente por revelar a trajetória e vicissitudes uma vida única, singular.

Num tempo em que impera a massificação do ser em torno de padrões globalizados de conduta, pensamento e aparência, a biografia resgata a individualidade da pessoa e também das características do seu contexto de vida, o que nos remete ao propósito do próprio Deus ao criar cada um de forma tão singular e especial.

Sobre a importância do uso deste estilo literário na Educação, destaca ainda Carino:

Vale observar que a biografia, como arte de narrar vidas, embora trabalhe com cada vida em suas particularidades, extrai de cada uma delas certas características típicas. Essa tipologia é que servirá a uma “pedagogia do exemplo”.  Tomadas como exemplo, imitadas, seguidas, integrando um “modelo” de conduta determinado pelo espírito da época, servirão à educação (1999, p. 173).

Ao apresentar homens e mulheres que realizaram grandes feitos e demonstraram um caráter admirável, a biografia inspira em seus leitores o desejo de desenvolver seu caráter e construir sua história ao cumprir os propósitos de Deus para sua vida, como declara o salmista: “Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.” (Salmos 139:17)

No estudo das biografias, quatro áreas são destacadas como objeto de análise no Gráfico de Estudo Biográfico (AECEP, 2010, p. 123):

  1. A época e panorama histórico nos quais a providência inseriu o indivíduo;
  2. Influências responsáveis pelo desenvolvimento e treinamento de seu caráter;
  3. Atributos de sua personalidade que marcaram;
  4. Contribuições que o indivíduo fez para avançar o Evangelho e liberdade para o indivíduo.

Embora, para fins educativos, essas quatro áreas sejam de importância fundamental, é importante destacar, sobre a primeira área apresentada, a necessidade de se conhecer o contexto em que viveu o biografado:

Vale assinalar que preconizarmos a importância da vida vivida por cada indivíduo não significa, em absoluto, ignorar sua condição de “ser no mundo”, a circunstancialidade, a influência do meio. Não há sequer como imaginar esse indivíduo “isolado”, infenso às influências sociais e econômicas, impermeável à historicidade – à sua, pessoal, à da sociedade em que vive e à da História. (Carino, 1999, p. 170)

Considerando a atuação cristã podemos dizer  que quando uma sociedade admite para si os padrões instituídos por Deus como orientação para sua conduta e pensamento, produz-se um solo cultural rico que fornece a sabedoria necessária para que suas obras reflitam os princípios cristãos e a glória de Deus. (Souza, 2010)

Assim, ao verificar quais as ideologias e filosofias dominantes na época e se essas eram ou não condizentes com os ideais do cristianismo e os propósitos de Deus para a vida humana, é possível compreender de forma mais ampla a atuação da pessoa que está sendo estudada.

Quais cristãos, então, podemos destacar para o estudo de suas vidas sob a perspectiva aqui apresentada?

6. Eles mudaram o mundo

Antecedendo qualquer sugestão é preciso ressaltar que, embora muitos cristãos apresentem grande destaque em sua área de atuação profissional, nosso foco é descobrir pessoas que de fato utilizaram-se da visão cristã como base para o desenvolvimento de seus projetos e ações no mundo.

Algumas sugestões:

Na Literatura:

  • Clive Staple Lewis (1898 – 1963) – Inglaterra
  • J. R.R. Tolkien (1892 – 1973) – Inglaterra
  • Gilbert Keith Chesterton (1874 – 1936) – Inglaterra
  • Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 – 1881) – Rússia
  • Jane Austen (1775 – 1817) – Inglaterra
  • Laura Ingalls Wilder (1867 – 1957) – EUA
  • Leon Tolstói (1828 – 1910) – Rússia
  • Miguel de Cervantes (1547 – 1616) – Espanha

Na Pintura:

  • Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 – 1669) – Holanda
  • Jan Vermeer (1632 – 1675) – Holanda
  • Michelangelo Merisi – Caravaggio (1571 –1610) Itália

Na Música:

  • Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Alemanha
  • Georg Friedrich Händel (Alemanha,1685 – Inglaterra, 1759)

No Cinema:

  • Terrence Malick (1943 – ) – Estados Unidos
  • Andrei Tarkóvski (1932 – 1986) – Rússia
  • Ingmar Bergman (1918 – 2007) – Suécia

Nas Ciências:

  • Robert Boyle (1627 – 1691) – Inglaterra
  • Francis Bacon (1561 – 1626) – Inglaterra
  • Blaise Pascal (1623 – 1662) – França
  • Samuel F.B. Morse (1791-1872) – Estados Unidos
  • Charles Babbage (1792 -1871) – Inglaterra
  • Michael Faraday (1791-1867) – Inglaterra
  • Johannes Kepler (1571-1630) – Alemanha
  • Max Planck (1858-1947) – Alemanha

Na Política:

  • William Wilberforce (1759 – 1833) – Inglaterra
  • Desmond Mpilo Tutu – 1931 – África do Sul
  • Noah Webster (1758 – 1843) – Estados Unidos
  • Samuel Rutherford (1600? – 1661) – Escócia
  • Abraham Kuyper (1837 – 1920) – Holanda
  • Elizabeth Fry  (1780-1845) – Inglaterra

A expectativa é que este projeto não apenas torne conhecidos estes grandes homens e mulheres, mas que nossos alunos encontrem, na vida destes e de tantos outros cristãos, inspiração e o modelo para viver seus dias de forma plena e, baseados nos princípios e padrões de Deus, restaurar no mundo a justiça, a alegria e a esperança que Ele oferece.

Que eles também sejam cristãos encantadores, para a glória de Deus.

[1] Carino, 1999.

 

 

Andersen em Portugal

Tesouro preciosíssimo que encontrei hoje!!! Daquelas descobertas que a gente tem vontade de contar pra todo mundo, mesmo que ninguém entenda o porquê de tanta alegria!

Trecho em que Hans Christian Andersen narra a perigosa experiência que viveu na viagem de Lisboa a Bordeaux, a bordo do navio “Navarro”, em seu livro “Uma visita em Portugal”:

“Por muito tempo fiquei, na clara noite estrelada, a olhar as ondas grandes do oceano, e quando, depois, voltei a entrar no salão e me estendi numa poltrona, acalmara-se me o espírito, alegrando-se com resignação perante Deus:

Tu, enigma da Eternidade,
Tu, luz da minha inteligência,
Tu, amor e magnanimidade,
Quão grandes se contêm em magnificência!
De Ti toda a vida é emanada,
Para Ti toda vida corre e se lança,
Para Ti dirijo a fronte curvada,
Tu, o melhor amigo da criança.
Os olhos, pois, quero pôr
Em Ti, confiante e crente,
O que melhor para mim for,
De Ti virá, certamente!
Fazei que a fé não perca, assim,
Em horas de angústia constante,
Na última, também, perto do fim,
Beija-me, como pai, nesse instante.”

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Sobre Dostoievski

11 de novembro de 1.821 – Nascimento do genial Dostoievski

“As obras de Tolstói e Dostoievski são exemplos cardeais do problema da fé na literatura. Elas exercem pressões e compulsões em nossas mentes com força tão óbvia, mobilizam valores tão obviamente relevantes para a grande política de nossa época, que não poderíamos, mesmo se quiséssemos fazê-lo, responder em termos puramente literários… Tolstói e Dostoievski não são apenas lidos, eles são acreditados.” George Steiner

 

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