Seja você também o que quer ver em seus filhos

Hoje de manhã meu pai enviou para nós uma reflexão que ele escreveu. Agora que os filhos já são adultos ele se pôs a pensar em como foi como pai enquanto estávamos sob sua orientação e cuidado.

Eu gostaria de transcrever o áudio todo, porque são conselhos muito bons. Mas por enquanto quero compartilhar um pensamento, dentre todos, que também me faz pensar muito.

Ao aconselhar quem deseja ser um bom pai, ele disse: “Seja você também aquilo que quer ver em seus filhos”. E ao discorrer sobre esse conselho ele disse quantas e quantas vezes já viu, ao longo dos anos, pais que mandavam seus filhos para a igreja porque queriam que seus filhos aprendessem bons princípios e seguissem um bom caminho, mas um caminho que eles mesmos não seguiam. Eu também vi muito isso, não somente na igreja, mas no trabalho em uma escola cristã. Pais que diziam estar colocando seus filhos ali para que eles aprendessem algo bom.

“Mas não é uma grande coisa um pai ou mãe quererem algo bom para seus filhos?”, alguém poderá questionar. Sim, é muito bom. Mas concordo muito com o que meu pai disse depois:

“A boy and his dad”, John Walter, 1968

“Você não pode requerer de seus filhos algo que não ensina NA PRÁTICA. Pais e mães querem ver seus filhos no caminho do bem; mas em não andar por esse caminho estão passando a seguinte mensagem: eu mesmo não creio nesse caminho. Por isso, assim que tiverem chance, as crianças vão abandonar a Deus, a Palavra de Deus, e qualquer relacionamento que foram ensinados a ter porque seus pais não estavam ali. Eu vi isso acontecendo com centenas de crianças”.

Meu pai pode dizer que viu isso porque ao longo de seus mais de vinte anos como pastor, ele sempre teve uma preocupação muito grande com as crianças, o que fez com que nossa família investisse grande parte do tempo no ensino de crianças e adolescentes. Essa, aliás, é uma das razões, se não a principal, pela qual hoje eu trabalho na área da Educação e também meus irmãos estão envolvidos com ensino e educação cristã.

A questão que gostaria de ressaltar aqui é que o fato de alguém enviar a criança para a igreja ou para uma escola cristã não vai tornar essa criança alguém que ama e teme a Deus se em casa ela não vê isso na vida de seus pais.

É possível alguém se tornar uma pessoa diferente daquilo que viu em seus pais? Certamente é possível. É possível uma pessoa vir a tornar-se cristã mesmo vindo de uma família com pais que não viviam essa fé? Sim. Meu pai mesmo pode bem contar isso, assim como outras pessoas. Mas isso, gente, só acontece por uma razão: a Graça de Deus. Pela Graça de Deus o passado de uma pessoa não será fator determinante sobre o seu futuro, porque nada pode impedir a ação de Deus em restaurar uma vida desde seus níveis mais profundos de modo que sua história cumpra o propósito que Ele escreveu.

Mas o conselho do meu pai diz respeito à responsabilidade de um pai ou mãe de educar seu filho. Porque ninguém pode fazer o trabalho dos pais como eles fariam. Esse é um privilégio e responsabilidade exclusivo que Deus concedeu a cada um.

Essa foi a principal razão pela qual eu decidi deixar o trabalho em sala de aula e me dispôr a trabalhar com as famílias: perceber que por mais que eu me esforçasse em meu trabalho como professora, eu nunca poderia educar o caráter das crianças ou mesmo trabalhar a sua formação intelectual de modo integral e profundo. Sim, o papel dos professores, conselheiros e instituições é de grande importância na vida das crianças. Mas nunca será o mesmo dos pais.

Por isso um de nossos ensinos aqui para as famílias tem sido: na formação intelectual ou na educação do caráter da criança, uma das principais ferramentas é o modelo. Se você quer que seu filho goste de ler, torne-se alguém que gosta de ler. Se você quer que seu filho aprenda a estudar sozinho, aprenda antes a estudar sozinho. Se você quer que seu filho se esforce para cultivar as virtudes, trabalhe com todo o seu coração para cultivá-las em seu caráter.

Na base da educação de uma criança estarão os princípios, valores, objetos e pessoas que elas aprenderam a amar. Mas nós não podemos ensinar uma criança a amar algo simplesmente dizendo: Ame isso. Elas aprenderão a amar o que nós amamos. E elas descobrirão o que nós amamos pela forma que agimos, dia a dia, em nossas vidas.

A boa notícia? É muito mais fácil ensinar aquilo que já vivemos. Porque o peso de algo verdadeiro é muito, muito maior.

Outra boa notícia: ser modelo não quer dizer ser perfeito. Ninguém é perfeito a não ser Deus. Ser modelo significa viver buscando aprender. Significa que as crianças verão em nós um contínuo esforço e desejarão viver assim também: crescendo dia a dia no amor a Deus, aos outros, à Verdade, à Bondade e à Beleza, para a glória de Deus.

“Ensina a criança o caminho em que deve andar”, mas ensine enquanto vai com ela pelo caminho.

Com meus pais eu aprendi não só a amar a Deus, mas a amar viver para Ele, amar viver para que outros o conheçam, o amem e vivam a plenitude de vida que só Ele pode dar. Nesse vídeo eu contei um pouco sobre algumas coisas que aprendi com meus pais e que hoje moldam minha vida e meu trabalho:

Qual área da sua vida você gostaria de ver transformada para que seus filhos aprendam com o que você é e vive na prática?

Curso “A educação do caráter da criança”

Curso online para pais e professores

12 de março a 09 de abril de 2020

(ATENÇÃO: Vagas limitadas para o curso avulso – o link para inscrição será enviado por email no dia 11/03/20 às 20h. O preenchimento das vagas será por ordem de inscrição confirmada. O email será enviado para os seguidores inscritos em nossa lista).

Nosso curso online “A Educação do Caráter da Criança” é parte do programa de formação da Academia Educar com Sapiência 2020. Ao adquirir o curso você terá acesso à plataforma Nutror, onde terá acesso a:

  • Videoaulas do curso – são 13 aulas, cada uma com cerca de 30 minutos e serão disponibilizadas semanalmente conforme o cronograma do curso que será entregue na aula inaugural.
  • Áudios – disponibilizamos o áudio das aulas em mp3 que podem ser baixados para seu computador ou celular de forma permanente.
  • Material para anotações – disponibilizamos, para cada aula, um arquivo em PDF com os principais tópicos da aula e folhas para anotações sobre o conteúdo.

Observações:

1– Para assistir às aulas é preciso estar conectado à internet. As videoaulas só podem ser assistidas no ambiente virtual do curso – Plataforma Nutror. Os alunos têm dois anos de acesso garantido á plataforma do curso.

2 – Os alunos inscritos receberão também algumas aulas bônus sobre o tema.

3 – Este curso é desenvolvido a partir da cosmovisão cristã.

O valor do curso, no formato avulso, é de R$ 270,00.

Grade do curso:

Aula 1. Educação moderna e a corrupção do caráter

Aula 2. Relativismo, humanismo e secularismo: como suas ideias podem deformar o intelecto e o caráter da criança

Aula 3. Comportamento x Coração: o lugar onde os problemas moram

Aula 4. A arte de escolher histórias: como a imaginação moral e os sentimentos influenciam a formação do caráter

Aula 5. Como a tecnologia e a vida moderna atrapalham a formação do caráter

Aula 6. Consumismo, ingratidão e a formação de uma geração infeliz

Aula 7. Por que a educação moderna está formando crianças fracas

Aula 8. O mito da criatividade: por que não precisamos de crianças criativas

Aula 9. Ensinar a ser justo ou ensinar a perdoar?

Aula 10. Autoestima: o monstro de olhos verdes da Educação

Aula 11. Identidade de gênero e o drama das crianças que sofrem

Aula 12. Vergonha, timidez e perfeccionismo na infância

Aula 13. Educando a criança para ter um coração bom

Gramática para decorar x Gramática para viver

“Fabiano também não sabia falar. Às vezes largava nomes arrevesados, por embromação. Via perfeitamente que tudo era besteira. Não podia arrumar o que tinha no interior. Se pudesse…”

Eu nunca me esqueço a estranha sensação de prisão que senti ao ler esse trecho de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Não por saber que Fabiano estava na cadeia nesse momento da história, mas pela angústia que ele sentia por não ser capaz de pensar direito nem sequer organizar seus sentimentos quando lhe faltavam as palavras.

Lembrei daquela reflexão de C.S. Lewis sobre quanto percebemos que devemos aos autores que lemos no momento em que conversamos com algum amigo literariamente iletrado: “Ele pode ser uma pessoa de enorme bondade e bom senso, mas habita num mundo minúsculo, no qual nos sentiríamos sufocados.”

Sempre ouvimos que a Linguagem é importante para nos ajudar a nos expressar, nos comunicar, mas naquele dia eu entendi essa lógica mais profunda. 

Eu li este trecho de Vidas Secas por indicação do William Campos da Cruz. Eu o havia convidado para dar uma aula especial para os meus alunos e ele me perguntou se poderia usar com as crianças esse texto para explicar como o domínio da linguagem muda nossa forma de pensar, entender e viver no mundo. O domínio da Linguagem, nesse sentido, nos liberta. 

É uma pena que nossa formação nessa área tenha sido, geralmente, tão pobre. Passamos anos e anos decorando regras gramaticais soltas sem conhecer a beleza da lógica da Gramática. Estudamos tanto sem que isso nos permita ordenar nosso pensamento e organizar o que temos em nosso interior. Ano passado, na Academia, como muitas vezes me referi a questões da Gramática para explicar algum assunto, os pais começaram a me pedir para incluir um curso sobre Gramática e Linguagem aqui.

Conversei com o William, que não só entende muito mais disso do que eu como também é apaixonado pela Gramática e sua beleza (essa é, aliás, a razão por que o perfil que ele criou no Instagram se chama Gramática na Vida). Pois bem! Ele aceitou e aqui estamos! 

Então este ano teremos, na Academia Educar com Sapiência, o tão esperado curso para os pais que querem ensinar Gramática ou simplesmente trabalhar sua autoformação para poder pensar com clareza, ler melhor e ordenar seus pensamentos para poder educar melhor seus filhos e viver de forma mais sábia. 

Ele apresenta seu curso:

A cena se repete vez após vez: as crianças trazem lição para a casa, pedem sua ajuda e a mágica acontece. Você se sente útil por ajudar seu filho com o dever, e as crianças se derretem de admiração por aquele que o ensina. Um dia, no entanto, uma sombra ameaça desfazer o encanto – você se depara com uma lição que já não domina. Corre à internet, procura sugestões, conselhos, dicas e macetes que lhes permitam assimilar RAPIDAMENTE o conteúdo a fim de ajudar o filho. O objetivo é simples: resolver o problema que vocês têm naquele momento.

Essa abordagem faz efeito por algum tempo, mas pouco a pouco vai deixando de funcionar. Por quê? Simples: em todo conhecimento há uma espécie de hierarquia em que é imprescindível dominar um assunto anterior para poder prosseguir para o que vem depois. Se o que se perdeu foi justamente a relação entre um assunto e outro, sinto muito: o pragmatismo, a pressa e a avidez não ajudarão! Ao contrário, darão lugar à frustração e à ansiedade. Nessa hora, vale a pena respirar fundo e voltar a percorrer o trajeto, para procurar, afinal, o que foi deixado para trás.

Nos estudos de língua portuguesa, isso acontece com uma frequência espantosa. Adultos e crianças ficam de cabelo em pé quando ouvem algo como “Oração Subordinada Substantiva Subjetiva”. Quem sabe o que é um substantivo, uma oração, um sujeito e uma oração subordinada não demorará nada para identificar as peças do quebra-cabeças. Quem não sabe verá apenas um borrão.

Isso vale para inúmeros outros tópicos: sem saber o que é uma sílaba tônica ou um ditongo, será impossível aprender as regras de acentuação; sem ter noções claras do que é REGÊNCIA VERBAL e do que é uma LOCUÇÃO ADVERBIAL será impossível identificar com segurança quando se deve ou não usar o acento grave (indicativo de crase); sem saber o que é um adjetivo ou um advérbio será mais difícil entender o que é um adjunto adnominal ou adverbial.

Este curso pretende ser essa volta à estrada percorrida, atentando, sobretudo, ao que relaciona um ponto ao outro. O conteúdo está organizado em quatro blocos:

(1) Antes de falar de Gramática, faremos alguns exercícios de observação de nossa própria EXPERIÊNCIA DA LINGUAGEM. A língua não diz respeito apenas à comunicação com os outros; ela também põe ordem em nossa mente.

(2) FONÉTICA: Esse fenômeno maravilhoso que é a língua manifesta-se, antes de tudo, como uma combinação de certos ruídos que, bem ordenados, tornam-se dotados de sentido!

(3) MORFOLOGIA: Depois, veremos como a combinação de pequenos “fragmentos de palavra” (os morfemas) permite que criemos uma verdadeira profusão de palavras novas. Além disso, veremos que as palavras se comportam de maneira diferente e, por isso mesmo, são guardadas em caixinhas diferentes, que, tecnicamente, recebem o nome de classes de palavras.

(4) SINTAXE: Depois de falar das palavras individualmente, será a hora de falar delas em suas relações umas com as outras.

(5) Para finalizar, amarramos uma ponta à outra e voltamos a falar de nossa experiência da linguagem como ordenadora do pensamento. A expectativa é que, ao final, tenhamos a sensação de conhecer a estrada inteira, e não apenas alguns pontos esparsos do caminho. Vamos juntos?!

Abaixo você pode ver a grade desse curso.

As inscrições para o Acesso Premium 2020 vão até o dia 06/03/2020.

William Campos da Cruz é tradutor, editor e revisor de textos com mais de dez anos de experiência no mercado editorial. Traduziu para a língua portuguesa autores como Fulton Sheen, Joe Rigney, Hans Rookmaaker e Michael Reeves. Em literatura infantil, fez parte da equipe que traduziu “O Fabuloso Livro Azul” e “O Fabuloso Livro Vermelho”. Também foi o prefaciador do livro “Ensinando o Trivium”, vol. 2, de Harvey e Laurie Bluedorn.

Uma explicação que devo a vocês… E uma quase despedida.

Oi, gente! Bom dia!

Hoje eu decidi dar uma pausa aqui nos preparativos da Academia para vir dar uma explicação que acho que estou devendo. Ficou parecendo uma carta, mas escrevi de coração.

Vocês realmente têm sido pessoas maravilhosas por se interessar e acompanhar meu trabalho aqui – alguns desde que tudo começou lá em 2017, outros até antes disso quando o Educar com Sapiência era só um blog chamado “Sapiência”.

Pois hoje eu pensei que precisava explicar a vocês a razão desse certo tipo de despedida que está por vir, assim que começarmos a Academia Educar com Sapiência 2020.

Uma vez, alguns anos atrás, quando começava o nosso ano letivo na escola, a coordenadora pediu que escrevêssemos em um papelzinho em formato de nuvem qual era o nosso maior desejo para aquele ano como professores. Eu me lembro que eu escrevi “poder trabalhar em paz”.

Para alguém que lesse isso dessa forma, sem conhecer o contexto, poderia parecer que estava sendo grosseira.

Mas aquele era o mais profundo desejo do meu coração naquele momento, porque eu realmente estava vivendo uma fase de muita turbulência e me sentindo muito cansada.

Sabe quando parece que você não dá conta de tudo o que a vida exige de você? Era assim que eu estava me sentindo. Sentia que não importava quanto eu fizesse, eu sempre estava em dívida com alguém ou alguma coisa. Me sentia em falta por não estar lendo nenhum livro, por não estar preparando refeições saudáveis, por não estar visitando meus avós, meus pais e meus amigos, por não estar dando conta de manter a casa em ordem, por não dar conta de corrigir todas as lições dos alunos e por não estar sendo a professora perfeita que um dia eu sonhei ser.

Até que chegou um dia em que eu simplesmente parei de tentar dar conta. Eu só fazia minhas obrigações básicas, dava aulas e dormia. Só depois de uns meses foi que eu me dei conta que estava com problemas e que precisaria lidar com tudo isso.

Eu me lembro que um dia saí da escola e fui para a livraria Cultura, onde eu gostava de ficar. Lá eu encontrei aquele livro “A mente organizada” e, folheando, li sobre o problema do excesso de informações que uma pessoa recebe nos dias atuais. Não lembro qual era a estatística exata, mas era como se em uma semana hoje nós recebêssemos a quantidade de informações equivalente ao que uma pessoa recebia em anos e anos de vida antigamente.

Ali ele dizia que nosso cérebro passa o tempo “decidindo” quais informações são relevantes e quais são inúteis. Cada mensagem que recebemos, cada atualização de uma pessoa que vemos na timeline de uma rede social, cada frase que ouvimos… Toda informação que recebemos durante todo o dia exigem um trabalho de análise que, com o tempo, tem um alto custo para a nossa mente e, consequentemente, para nossa saúde e nossa alma.

E aos poucos vamos nos sentindo esgotados, incapazes de atender a tudo o que exige a nossa atenção…

Bom, foi ali que eu entendi que de fato não fomos criados para esse mundo de excesso de conectividade, excesso de posts, excesso de notícias, excesso de informações. E foi quando eu decidi sair por um tempo das redes sociais como parte do tratamento para aquela fase tão nebulosa que eu passava.

Foi uma das melhores decisões que eu tomei na vida. No começo foi muito difícil porque eu realmente estava viciada nas interações e novidades do Facebook e do Instagram. Era quase automático pegar o celular e clicar no ícone para ver o que na verdade já tinha visto segundos atrás.

Não foi a cura para a fase depressiva que eu estava vivendo, mas foi parte do processo.

Nesse tempo também eu entendi que precisava diminuir a quantidade de atividades em que eu estava envolvida, e especialmente a expectativa orgulhosa que eu tinha de fazer tudo perfeito. Foi um longo processo que Deus usou para me ensinar muitas coisas que eu antes não sabia sobre mim mesma e sobre a vida.

Levei cerca de um ano para finalmente me sentir leve e feliz outra vez e desde então este é um assunto que me preocupa ao lidar com pessoas que correm o risco de passar pelo que eu passei – algo que eu realmente não desejo para ninguém.

Essa é a razão por que eu falo tanto sobre os cuidados que devemos ter com a sobrecarga tão comum àqueles que dedicam sua vida à missão de educar.

Existem muitos vilões a quem podemos culpar por tudo isso.

Mas o que eu aprendi é que sempre vai ser MINHA a responsabilidade de ser sábia, conhecer meus limites e buscar um estilo de vida que me permita cumprir a vocação que Deus me deu sem desagastar minha mente, minha saúde e minha alma.

Por que estou contando tudo isso?

Porque muitas pessoas se sentiram confusas quanto às decisões que tomamos aqui esse ano.

A verdade é que essa decisão já é algo que venho buscando há muito tempo, desde que comecei a ver muitas mães demonstrando sentir a mesma angústia que eu sentia quando era professora. Eu percebo uma busca interminável por ideias, materiais, dicas e informações e meu coração pesa porque eu sei que isso não tem fim, não faz bem e não é o ideal porque quem educa precisa de paz para ensinar com paciência e sabedoria.

E o problema é que às vezes eu me vejo postando algo no Instagram e penso que eu não quero ser mais uma pessoa falando sobre o que os pais precisam fazer, sabe? Porque não quero contribuir para que as famílias se sintam sobrecarregadas com tanta gente dizendo isso e aquilo sobre Educação. O caminho para educar é trabalhoso, mas na verdade é simples. E eu não quero ser mais uma pessoa fazendo parecer que tudo é muito complicado.

Quem educa precisa de paz para ensinar com paciência e tranquilidade, e educar com sabedoria e alegria.

E também não quero viver com essa sensação de não estar conseguindo atender às pessoas como deveria.

Às vezes alguém me escreve um email e eu tenho a maior vontade de gravar um áudio e conversar sobre aquele problema ou aquela orientação que a pessoa precisa. Tenho vontade de marcar horários para poder fazer uma ligação para conversar e ajudar de forma mais presente. Mas no formato que nós temos hoje é difícil até responder a tempo todas as pessoas (graças a Deus pelo Paulo e a equipe linda que têm me ajudado a responder todo mundo, especialmente nesse projeto que fizemos agora).

Bom, então foi por isso que ano passado eu comecei a pensar em como mudar tudo isso aqui no Educar com Sapiência. Acho que desde que eu fiz aquele projeto Sonya Carson, no final de 2018, esse passou a ser o meu pensamento: como posso usar tudo aquilo que eu sei para ajudar as famílias, mas sem esquecer de todas as dificuldades que eu passei quando me senti sobrecarregada demais para conseguir ensinar?

Ano passado nós já vivemos parte disso quando criamos a Academia para conversar, toda semana, sobre as aulas do curso. Foi um tempo muito bom e eu percebi que finalmente nós havíamos encontrado um caminho.

Um dia a Erica me disse que era aniversário da Lara, sua filha, bem na quinta-feira, dia de aula da Academia. Então eu preparei um cartão e no meio da aula fiz algo especial porque sabia que ela estaria assistindo. A Lara ficou super feliz e eu achei tão legal saber que outras crianças estavam participando também! Ficamos pensando nisso e acabamos criando, para 2020, a Academia Kids. Teremos atividades especiais para eles, com a aventura “Em busca das virtudes perdidas” e os desafios de leitura, escrita, estudos e tarefinhas como recolher os brinquedos, falar na hora certa e agradecer a quem lhe faz bem.

Então esse ano é assim que nós vamos trabalhar. Caminhando junto com aqueles que precisam de um lugar tranquilo para aprender, crescer e compartilhar a vida uns com os outros. Um lugar onde sempre vamos poder lembrar os princípios da vida sábia para quem quer educar sem desespero, sem aflição. Quem quer crescer de forma consistente, se aprofundando nos assuntos da educação com calma e determinação, sem ficar correndo atrás de mil novidades ao mesmo tempo. Um lugar para quem quer rever suas atitudes e educar o caráter e o intelecto das crianças ao mesmo tempo que trabalha a sua própria autoformação.

Eu sei que não são muitas as pessoas que têm essa prioridade no momento, mas sei que existem aqueles que estão em busca de ajuda para educar seus filhos com segurança e tranquilidade; pessoas que não querem mais ver o tempo passar sem saber para onde estão caminhando; pessoas determinadas a trabalhar por mudanças reais na vida da sua família. E é com essas pessoas que nós queremos caminhar.

Estou dando essa explicação porque muitas pessoas têm pedido para adquirir os materiais e cursos no formato avulso. Eu entendo, de verdade, e se houver vagas nós vamos abrir sim. Mas queria explicar que meu sonho mesmo e minha oração, é completar a turma com pessoas que queiram caminhar ao longo desse ano com a gente. E nós temos orado há muito tempo por cada família que fará parte dessa nossa turma. Pessoalmente, peço a Deus que traga aqueles que realmente precisam desse lugar tranquilo para se aprofundar no que verdadeiramente importa.

Eu disse que é também uma quase despedida, porque assim que começarmos, no dia 10 de março, vamos diminuir nossa participação nas redes sociais. Teremos um vídeo por mês no Youtube e de vez em quando um email e textos no site. Fizemos um super projeto gratuito e aberto a todos nos meses de janeiro e fevereiro, mas agora queremos realmente nos dedicar a estar presentes na vida desses que caminharão com a gente. Não vejo a hora de começarmos e poder ajudar de perto as famílias a conduzir seus filhos a lugares mais altos, ensinando com confiança e educando com tranquilidade e alegria!!

“Per Ardua Ad Alta”: Por caminhos árduos chegaremos às alturas!

Parece estranho porque é meio o contrário do que se espera de alguém que depende do trabalho virtual para ganhar seu pão de cada dia, mas eu estou muito feliz e em paz, e tenho certeza de que Deus vai abençoar muito tudo o que faremos aqui porque é, antes de tudo, por causa Dele e para a glória Dele até o fim!

Agradeço muito por toda a consideração que vocês têm em ler e participar por aqui!

Com carinho,

Katarine Jordão

P.S.: Para se inscrever na Academia é só clicar aqui (tem valor especial até para inscrições até 28/02/2020): Academia Educar com Sapiência 2020

Curso “A educação do caráter da criança”

Como posso educar o caráter do meu filho?
Os bons pais sempre estão preocupados em encontrar caminhos para educar da melhor forma seus filhos.

Existem, sim, aquelas pessoas que pensam que o importante é que seus filhos tenham sucesso acadêmico para “se darem bem” na vida. Essa é uma visão bastante pequena do que a criança precisa. Mas, como costumo dizer, o interessante é que mesmo que seu único objetivo seja oferecer aos seus filhos uma boa formação acadêmica para que eles sejam brilhantes, ainda assim a base seria a educação do caráter. 

Crianças que não foram ensinadas a ser fortes desanimam diante de qualquer dificuldade e não seguem adiante nos exercícios mais difíceis. Crianças que não foram ensinadas a ter autocontrole têm dificuldade em aprender porque não conseguem ouvir nem focar sua atenção em algo específico. Crianças que não foram ensinadas a assumir responsabilidades raramente levam a sério o que estão fazendo porque sabem que não haverá consequências caso não o cumpram.

Sem o devido trabalho de educação do caráter as crianças encontrarão dificuldades até mesmo em ser bons alunos.

Mas muitos pais sabem que boas notas não é o bastante. Enquanto cresce o número de notícias sobre tragédias e escândalos envolvendo corrupção, imprudência, descontrole emocional e desrespeito, muitos pais se preocupam e buscam respostas para saber como educar seus filhos para que sejam sábios, fortes e tenham disciplina para viver bem.

Em meio a tantas discussões sobre o tema, algumas iniciativas têm sido desenvolvidas com o objetivo de retomar o conceito de Educação do Caráter, baseada no princípio antigo de que o fim último da educação deve ser a aquisição dos atributos necessários para o pleno desenvolvimento humano, e não apenas o desenvolvimento cognitivo. A ideia de que não basta formar pessoas inteligentes; é preciso educar para que sejam sábias.

Esse é o sentido de flourishing. Na língua inglesa, essa palavra remete ao florescer da vida. No Português às vezes traduzimos como “vida próspera”, mas como a palavra “prosperidade” muitas vezes é relacionada com a questão financeira, acaba não explicando a ideia. Talvez “plenitude” seria uma boa tradução para isso. É a ideia de alguém que vive plenamente, distante dos problemas e vícios causados por má formação do caráter.

A palavra “caráter” (do grego, kharakter) indicava inicialmente a ferramenta utilizada para produzir marcas na pedra ou madeira. Posteriormente, seu uso passou a identificar a própria marca em feita por algum instrumento, uma reprodução perfeita do original. (É deste termo que surge a palavra caractere, usada para falar sobre cada símbolo que era impresso na folha por meio de um molde da máquina de imprensa ou máquina de escrever).

Na nossa vida, o caráter é a base de quem nós somos. Está ligado com a forma como fomos sendo moldados pelas situações que vivemos, princípios que adotamos e hábitos que formamos ao longo da vida.

Por isso, para educar o caráter de uma criança é preciso, antes de tudo, reconhecer que essa é uma questão moral. Uma questão de certo e errado – não apenas o que dizemos, mas antes de tudo a forma como agimos com a criança e as decisões que tomamos todos os dias na presença delas.

Quando estava na faculdade de Pedagogia, uns 15 anos atrás, me deparei com todos os nomes e termos que os educadores modernos usam para justificar os problemas da Educação.

Eu cresci aprendendo sobre as bases da formação do caráter de uma pessoa, mas na época da faculdade eu pensava que se os doutores da educação falavam era porque era assim. Quem era eu para questionar o que ensinavam? Então estudei e aprendi. 

Levei um tempo para começar a entender que não é porque um especialista diz uma coisa que aquilo é a verdade. Entender que precisava ir em busca de outros livros, não só aqueles que me passavam. Entender que a antiga visão que eu tinha sobre educação não era “ultrapassada”. Era sólida. Tinha milênios de resultados para comprovar sua eficiência. Como diria C.S. Lewis, “a educação antiga era uma espécie de propagação – homens transmitindo a humanidade para outros homens – a nova é apenas propaganda”. (A abolição do homem).

Mas foi só na prática da sala de aula que me deparei com a certeza de que a educação do caráter era o fundamento de todas mazelas apontados na educação. O problema da Educação é, antes de tudo, um problema moral. E, consequentemente, uma questão de cosmovisão: o que você pensa influencia as atitudes que você toma ao educar.

Mas, afinal, como posso educar o caráter do meu filho?

Bem, antes de tudo é preciso quais são as atitudes de caráter que precisam ser desenvolvidas. A essas atitudes nós damos o nome de VIRTUDES e ao seu oposto nós chamamos VÍCIOS. No senso comum um vício é apenas algo químico como o cigarro ou a bebida. Mas para os pensadores gregos a palavra vício dizia respeito a todo mau hábito formado e que a pessoa tem dificuldades em evitar. Por exemplo, o vício da preguiça, o vício do desânimo ou o vício da gula.

Alguns teólogos cristãos preferem usar a palavra pecado ao invés de vícios. A questão é perceber que se trata de algo que a criança – ou a pessoa adulta – já se acostumou a praticar e tem dificuldades em vencer.

Por isso, ao educar o caráter da criança, precisamos tomar consciência sobre quais são as áreas em que ela tem desenvolvido problemas de caráter – ou vícios – e trabalhar para ajudá-la a cultivar as virtudes que precisam como a Virtude da Fortaleza, para aprenderem a ficar firmes mesmo quando algo for difícil, ou a Virtude do Autocontrole, para aprenderem a controlar seus impulsos e agir conforme o que é correto, não conforme o que sentem vontade de fazer.

Aqui no site já trabalhamos algumas virtudes no Projeto Virtude do Mês. Agora, ao iniciar mais um ano da Academia Educar com Sapiência, vamos tratar de forma mais profunda sobre os problemas que corrompem e atrapalham a formação do caráter da criança, e como podemos lidar com isso em cada caso.

Nossas aulas, neste primeiro curso, serão essas abaixo. Em cada aula relacionaremos com as virtudes que podemos trabalhar com a criança. Por exemplo, ao falar sobre o mito da criatividade, falaremos sobre A Virtude da Obediência e como a autoridade dos pais pode formar filhos mais inteligentes do que aqueles criados no sistema de “liberdade criativa”.

As atividades da Academia Educar com Sapiência começam no dia 10 de março de 2020. Para saber mais é só clicar: Acesso Premium Academia – Inscrições Abertas.