Aula 1 – Mini Curso “7 Práticas de Linguagem”

Boa noite, gente!!
Demoramos um pouco, mas foi para deixar melhor para vocês. O texto está logo abaixo, mas achei que ficaria melhor colocar para vocês também em PDF (só rolar até o final do texto para baixar). Deu um trabalhinho, mas ficou mais completo. Espero que gostem e façam bom proveito! Então, vamos lá:

Aula #1 – Quantas palavras a criança precisa aprender?

Essa parece uma pergunta difícil, não? Será que existe um número? Podemos acrescentar ainda outra ainda mais interessante: quantas palavras uma pessoa fluente conhece?

Em breve vamos conversar sobre essa questão porque hoje nós falaremos sobre uma prática de linguagem chamada de Aquisição de Vocabulário – ou seja, o aprendizado de novas palavras.

  1. Por que o vocabulário é importante?

O primeiro aspecto que podemos esclarecer sobre esse assunto é: se uma criança não sabe o que uma palavra significa, pouco adiantará aprender a decodificá-la ou fazer sua leitura com fluência. Aliás, conforme McGuiness afirma em seu livro “O ensino da leitura”, as pesquisas mostram que crianças com baixo rendimento nos estudos geralmente possuem um vocabulário muito pobre – o que faz muito sentido. Se a criança não entende o que as palavras significam, como poderá compreender os textos que lê ou aulas que assiste? Dessa forma seu rendimento nos estudos ficará sempre comprometido.

A questão é que embora essa relação seja clara para todos, muito pouco se faz nas escolas normais para trabalhar a aquisição de vocabulário das crianças. 

2. Quantas palavras uma pessoa precisa saber?

Certamente não é possível apresentar um número fechado e exato para esta pergunta, mas considerando as pesquisas sobre o assunto, podemos dizer que um adulto comum – ou seja, com vocabulário mediano – possui entre 55 e 70 mil palavras em seu vocabulário. Muita coisa, não é? Mas é importante considerar: nem todas essas palavras estarão presentes em nossa comunicação diária, porque uma parte delas estará apenas em nosso vocabulário passivo. O que seria isso?

Inicialmente é  importante esclarecer que tudo o que diz respeito à linguagem é alvo de muitos e diferentes estudos e pesquisas – o que nos leva a uma grande variedade de classificações e definições. No entanto, trataremos aqui de uma divisão bastante conhecida e que nos permite introduzir este assunto: o Vocabulário Ativo e o Vocabulário Passivo.

De modo simples podemos dizer que o vocabulário passivo são todas as palavras que conhecemos a ponto de entender o que ouvimos ou lemos. Já o vocabulário ativo são as palavras que de fato usamos em nosso dia a dia, seja nas conversas informais ou nos textos que escrevemos. Por isso, o vocabulário passivo é também chamado de “receptivo”, e o vocabulário ativo também é conhecido como “expressivo”.

Sabemos que o vocabulário passivo sempre será bem maior do que o ativo. Por isso, de todas aquelas 50 a 70 mil palavras que um adulto, ao ouvir, sabe o que significam, apenas cerca de 10 a 15 mil serão aquelas que ele de fato usa ao se expressar.

Este número, claro, sofrerá uma variação muito grande de pessoa para pessoa, considerando sua formação, o contexto em que vive, seus hábitos e situação social. 

No caso das crianças, alguns estudos afirmam que por volta dos 5 anos eles possuem um vocabulário de cerca de 10 mil palavras, sendo que a cada ano aprendem, no convívio natural, cerca de 3 mil novas palavras. O problema é que a maior parte delas fará parte apenas de seu vocabulário passivo, uma vez que, para que sejam de fato internalizadas para o ativo, é preciso um trabalho maior de aquisição de vocabulário.

3. Como uma criança adquire vocabulário?

Embora essa também seja uma questão que envolva muitas pesquisas e estudos, alguns aspectos importantes têm sido ressaltados:

  • A questão mais importante encontrada é a de que as crianças com vocabulário mais rico são aquelas que vivem em famílias com nível cultural maior, especialmente onde as mães conversam muito com seus filhos usando um vocabulário mais sofisticado. 
  • Ao contrário do que geralmente se acredita, a exposição da criança à leitura, sozinha, não parece oferecer uma aquisição de vocabulário muito grande. Isso porque raramente o contexto é o bastante para que a criança descubra o significado real da palavra apenas com base em suas suposições.

Assim descobrimos que, se queremos de fato enriquecer o vocabulário das crianças, precisamos considerar: 1) É possível melhorar o nível de comunicação das pessoas que convivem com as crianças? 2) Como podemos ensinar novas palavras, de modo que passem a fazer parte de seu vocabulário ativo.

4. Como ensinar novas palavras para a criança?

Chegamos, então, à nossa questão mais prática. Autores como McGuiness e Collins nos explicam que as pesquisas realizadas em diversos contextos mostram que apenas expor a criança a novas palavras por meio da leitura não é o bastante. 

“Frequência de exposição a novas palavras faz uma enorme diferença APENAS se os alunos têm alguma orientação (ensino) e adquirem uma compreensão mais profunda do que as palavras significam.” Diane McGuiness

Ou seja: para que a criança de fato aprenda o significado de uma palavra é preciso que ela seja ensinada. Esse ensino, no entanto, não deve se ater à busca pela definição da palavra no dicionário (embora esse seja um hábito importante e necessário). O ensino, para ser eficaz, deve, principalmente:

  1. Trabalhar com palavras retiradas de um contexto significativo (como uma história que esteja sendo lida); o que é mais eficaz do que estudar palavras soltas.
  2. Trabalhar a definição de modo repetido. Apenas 5 minutos de estudo de cada palavra é o bastante, desde que essa definição seja revisada nos dias seguintes (princípio da repetição).
  3. Apresentar a palavra de diversos modos diferentes, o que torna muito mais eficiente o processo de internalizar seu significado e o próprio verbete, uma vez que ativa a memória de modo mais eficaz.

Então, com apenas 10 minutos por dia e partindo das histórias que estamos usando para a leitura em voz alta ou outra atividade, é possível trabalhar duas novas palavra por dia, acrescentando cerca de 400 novas palavras por ano ao vocabulário ativo da criança – o que já representa mais de 10% do seu vocabulário passivo.

Muitos teóricos modernos têm investido em incentivar a mudança do significado das palavras, como uma estratégia para mudar o pensamento das pessoas. As palavras são os instrumentos usados para disseminar ideias porque permitem distorcer o sentido das coisas. Assim, quanto maior o domínio que uma pessoa tenha sobre o real significado das palavras, maior sua habilidade de reconhecer as tentativas de distorção do pensamento. Vamos preparar nossas crianças e capacitá-las para essa batalha, de modo que sejam capazes e entender e se expressar no mundo, cumprindo sua vocação para a glória de Deus?

Professora Katarine Jordão.

Bibliografia consultada:

MCGUINNES, Diane. O ensino da leitura: o que a ciência nos diz sobre como ensinar a ler. Porto Alegre: Artmed, 2006.

BLOCK, Cathy Collins e MANGIERI, John N. The vocabulary enriched classroom.  Scholastic Teaching Resources, 2006.

De 11 a 24 de março de 2021  

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