Histórias sobre Fortaleza

Neste mês de Outubro estamos trabalhando, no Projeto Virtude do Mês, sobre a Virtude da Fortaleza.

Creio que essa virtude abrange pelo menos duas bem específicas:

A CORAGEM para enfrentar seus medos ou dificuldades da vida;

A PERSEVERANÇA para continuar lutando sem desistir.

Como muito se diz, precisamos ensinar às crianças que coragem não é ausência de medo. Todos nós temos medo do que parece maior do que nós. A coragem é aquela decisão que tomamos de ir em frente com medo mesmo, e no processo descobrir que podemos lutar.

Ao ensinar as crianças sobre a Fortaleza, creio que o texto bíblico que primeiro nos vem à mente é aquele do momento em que o jovem Josué sente medo diante da imensa responsabilidade de recebia de liderar todo o povo de Israel nas batalhas contra os povos inimigos. Naquele momento Deus diz:

“Não to mandei eu? Sê forte e corajoso. Não temas nem te espantes porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares”. (Josué 1:9)

Esse é o princípio fundamental para manter em mente enquanto ensinamos as crianças. Podemos decidir ser fortes em situações difíceis e muitas pessoas – como veremos nas histórias a seguir – de fato decidem e se tornam mais fortes a cada novo desafio.

Mas é tão maior a força que encontramos quando nos lembramos que Deus estará conosco por onde formos! Quer verdade mais profunda para se sentir motivado a tomar decisões e atitudes difíceis do que essa? Se é a decisão correta, Deus estará lá!

HISTÓRIAS SOBRE FORTALEZA

Eu creio que nada melhor para trabalhar a Fortaleza do que as histórias reais de pessoas que foram fortes. Os heróis que eu citei no email que enviei hoje com a Dica #3.

Existem muitas histórias assim e hoje eu quero indicar duas aqui.

A primeira é a história de Sam Berns, um jovenzinho que possui uma doença rara. Eu assisti a mini palestra que ele fez sobre o que ele pensa e faz para ter uma vida feliz, e, como sempre, senti vergonha de todas as vezes em que eu já reclamei dos meus próprios problemas.

Esse vídeo é interessante para trabalhar o assunto especialmente com as crianças acima de de 10 anos, eu creio. Mas veja antes o vídeo para decidir se você considera uma boa estratégia para trabalhar:

SAM BERNS – MINHA FILOSOFIA PARA UMA VIDA FELIZ

Outra história que sempre me vem à mente quando penso em Fortaleza, especialmente ao conversar com crianças pequenas, é (mais) um trecho do livro “O jovem fazendeiro”.

Quando li essa parte do livro eu pensei no quanto nós nos deixamos enfraquecer por viver buscando uma vida cada vez mais confortável e fácil. Como perdemos ao evitar as dificuldades – nossa e das crianças a quem queremos tornar fortes…

Vou digitar aqui essa parte da história para vocês:

A GEADA E O MILHO

Adaptado do livro “O jovem fazendeiro”, de Laura Ingalls Wilder

Faltavam três dias para o Dia da Independência, que era a 4 de julho. Depois faltava só um dia e naquela noite Almanzo teve de tomar banho, embora não fosse sábado. Na manhã seguinte iriam todos à comemoração, em Malone. Almanzo mal podia esperar até a hora de partirem, Haveria uma banda, discursos e canhões seriam disparados.

O ar estava parado e frio naquela noite e as estrelas tinham uma aparência invernosa. Depois do jantar o pai foi novamente aos celeiros. Fechou as portas e as pequenas janelas de madeira das baias dos cavalos e pôs as ovelhas com os cordeirinhos no aprisco.

Quando entrou, a mãe perguntou se já estava mais quente. O pai balançou a cabeça:

– Creio que vai gear – disse ele.

– Ora, claro que não! – replicou a mãe. Mas parecia preocupada.

Em determinado momento da noite Almanzo sentiu frio, mas estava com muito sono para fazer alguma coisa. Então ouviu a mãe chamar:

– Royal! Almanzo!

Ele estava sonolento demais para abrir os olhos.

– Meninos, levantem-se! – chamou a mãe – O milho está congelando!

Almanzo pulou para fora da cama e enfiou as calças. Não conseguia manter os olhos abertos de tanto sono. Suas mãos moviam-se desajeitadamente e grandes bocejos quase lhe deslocaram o maxilar. Desceu as escadas cambaleando atrás de Royal.

A mãe e as duas meninas, Eliza Jane e Alice, estavam vestindo suas saias e xales. A cozinha estava fria; o fogo não fora aceso. Lá fora tudo parecia estranho. O capim estava branco de geada e uma fria faixa verde surgia no lado oriental do céu, mas o ar estava escuro.

O pai atrelou Bess e Beleza à carroça e Royal bombeou água até encher a tina. Almanzo ajudou a mãe e as meninas a trazerem tinas e baldes e o pai colocou barricas na carroça, Encheram de água as tinas e as barricas e foram andando atrás da carroça até o campo de milho.

Todo o milho estava congelado. As pequenas folhas estavam enrijecidas e se quebravam quando alguém as tocava. Somente a água fria salvaria a vida do milho. Cada montinho deveria ser molhado antes que o sol o tocasse, pois do contrário as plantinhas morreriam e não haveria colheira de milho naquele ano.

A carroça parou na extremidade do campo. O pai, a mãe, Royal, Eliza, Alice e o pequeno Almanzo encheram seus baldes de água e todos trabalharam o mais depressa que podiam.

Almanzo tentava apressar-se, mas o balde era pesado e suas pernas, curtas. Seus dedos úmidos estavam gelados, a água pingava-lhe nas pernas e sentia-se terrivelmente sonolento. Tropeçava ao longo das fileiras e em cada montinho de milho derramava um pouco de água sobre as folhas congeladas.

O campo parecia enorme. Havia milhares e milhares de montinhos de milho. Almanzo começou a sentir fome. Mas não podia parar para queixar-se. Tinha de se apressar, e se apressar, e se apressar para salvar o milho.

O verde, no oriente, tornou-se vermelho. A cada momento a luz aumentava. A princípio a escuridão fora como uma neblina sobre o campo interminável. Agora Almanzo podia enxergar até o fim das compridas fileiras. Procurou trabalhar mais depressa.

Num instante a terra passou de negra a cinzenta. O sol estava chegando para matar o milho.

Almanzo correu para encher seu balde; voltou correndo. Corria ao longo das fileiras, espalhando água sobre os montinhos de milho. Seus ombros doíam, o braço doía e ele sentia uma dor na cintura. A terra macia prendia-lhe os pés. Estava terrivelmente faminto. Mas cada jorro de água salvava um montinho de milho.

Agora, à claridade cinzenta, o milho produzia pálidas sombras. E, de repente, o sol cobriu o campo.

– Continuem! – gritou o pai.

Todos, portanto, continuaram. Ninguém parou. Mas pouco depois o pais desistiu.

– Não adianta mais! – exclamou.

Nada poderia salvar o milho depois que o sol o tocasse.

Almanzo pôs seu balde no chão e esticou o corpo para aliviar a dor que sentia nas costas. Olhou o campo de milho. Os outros também olhavam e nada diziam. Haviam regado quase três acres. Restara apenas um quarto de acre. Esse estava perdido.

Almanzo foi cambaleando até a carroça e subiu nela.

O pai disse:

– Sejamos gratos por termos salvado a maior parte.

Foram sonolentamente até os celeiros. Almanzo ainda não estava inteiramente acordado e sentia cansaço, frio e fome. Suas mãos executaram desajeitadamente as tarefas matinais.

Almanzo já estava tomando café quando se lembrou que era dia 4 de julho. Sentiu-se mais alegre. Era dia de passeio e festa!

E a maior parte do milho fora salva pela família.

***

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