Como ensino meu filho a estudar?

“Por onde eu começo?”

Quando eu era criança, meu maior sonho era poder estalar os dedos e o meu quarto ficar todo arrumado. Na verdade eu também tinha o sonho de ter uma irmã gêmea perdida em algum lugar, mas até isso ficava de lado quando eu me sentava na cama e olhava para aquela bagunça toda com aquela sensação de “Meu Deus! Eu nunca vou conseguir pôr tudo isso em ordem!”

Já ouviu aquela frase “Tem tanta coisa para fazer que eu não sei nem por onde eu começo”?

quarto bagunçado
O quarto da menina é bem mais chique do que era o meu, mas dá para ter uma ideia da expressão de desânimo…

Então a gente vai tentando de tudo um pouco.  Dobra uma blusa, aí vê que a gaveta está bagunçada e tira tudo pra fora pra arrumar. Mas enquanto arruma vê que do lado tem uma caixa de tranqueiras. Então deixa a blusa lá, deixa a gaveta e senta pra ver o que fazer com a caixa. O problema é que você vai percebendo que tem tanta coisinha pequena que não sabe nem onde pôr que bate o desespero. E larga blusa, larga gaveta, larga caixa e vai chorar ou mexer no celular pra ver se o desespero passa.

O problema é que essa sensação de que tudo está maior do que eu consigo dar conta tem um efeito paralisante. Nós nos sentimos incapazes quando pensamos que não vamos conseguir. E assim a vida vai passando e ano após ano repetimos as promessas de que dessa vez tudo vai ser diferente.

Acho que é a mesma sensação que a gente tem com outras situações da vida, como ensinar as crianças. São tantas informações, tantas ideias, tantas urgências!!  Por onde eu começo??

Bom, eu vou dizer para vocês o que me ajudou com os problemas do quarto: tirar coisas. Pessoalmente creio que nós não fomos criados para possuir mais do que o que conseguimos administrar. Nem coisas, nem informações, nem relacionamentos. É isso que eu faço sempre que me sinto “overwhelmed” (eu amo essa palavra). Eu começo a tirar coisas. No quarto e na casa, eu começo a tirar roupas para doar e começo a jogar papel fora. Desapegos drásticos mesmo. E na minha vida pessoal e profissional também. O que eu preciso tirar? O que vai ser prioridade agora? E enquanto tento descobrir o que riscar da agenda, vou me forçando a decidir o que fica. Não o que eu gosto, nem o que é importante, mas o que é essencial para agora. Isso, gente, é o desapego que força a gente a um planejamento.

(Por alguma razão, quando preciso fazer isso eu prefiro olhar para o papel de frente. Então ao invés de colocar na mesa eu ponho o papel na porta do meu armário de livros com uma fita adesiva. Acho que é a mania de usar lousa por muito tempo, não sei).

O problema é que para quem tem urgência, parece que planejar é perder tempo. Mas eu garanto para vocês que não é. A sensação de alívio quando você descobre o que é seu foco é impressionante! Porque você para de se sentir culpado por não estar fazendo o que todo mundo faz. Você consegue andar olhando para o ponto certo sem se perder com todas as distrações do caminho. Senso de prioridade é algo poderosíssimo (e, vivendo em meio a tantos apelos e excessos, algo fundamental).

foco

Acontece que assim como é necessário fazer isso para pôr a casa (ou o quarto) em ordem, é preciso também para organizar a educação das crianças. Em algum momento é preciso sentar e estabelecer quais serão suas bases:

1 – Qual nossa visão sobre educação? Que tipo de homem e mulher nós queremos formar?

2 – Quais são os princípios que nós defendemos?

3 – Quais são as abordagens educacionais que estão de acordo com esses princípios?

4 – Quais são os objetivos específicos que nós temos para nossos filhos em curto prazo? 

5 – Quais virtudes nós queremos que  nossos filhos desenvolvam agora?

6 – Quais são as estratégias e recursos educativos que nós usaremos, considerando nossas possibilidades financeiras e de tempo hoje? (Aqui, sim, depois de estabelecidas as questões anteriores, é que entrarão os cursos que você precisa ou não fazer, os livros que você precisa ler e as habilidades de ensino que você precisa desenvolver prioritariamente).

E, ao lado de tudo isso, é importante conversar e deixar claro qual tipo de homem e mulher vocês NÃO querem formar, com quais princípios vocês NÃO concordam, quais abordagens educacionais NÃO estão de acordo com seus princípios, quais objetivos NÃO estão entre aqueles que vocês têm para seus filhos, quais virtudes NÃO estão entre aquelas que serão exigidas no momento e quais estratégias e recursos vocês NÃO usarão.

Isso vai ajudar para aqueles momentos em que você vê ideias e coisas interessantes e se sente tentando a ir atrás de algo que não é sua prioridade no momento.

(Se você tem alguma dúvida específica sobre o que seria mais importante para cada idade, pode deixar nos comentários aqui ou me escrever por email).

Para quem sente que precisa entender melhor essas questões relacionadas a abordagens educacionais e questões envolvendo a base da educação e as questões de educação do caráter que influenciam nos estudos, o Módulo 1 do Curso Ensinar a Estudar é só sobre isso. Veja mais aqui: Curso Ensinar a Estudar.

Minha sugestão:

Passo 1: Antes de tudo anote em um papel todas as suas atividades/ disciplinas atuais e todas as que você gostaria de trabalhar com a criança: Fluência na leitura, Matemática, História, Ciências Naturais, Latim, Grego, Inglês, Alemão, Teologia, memorização de poemas, memorização de versículos bíblicos, cultivo das virtudes, ballet, futebol, natação, piano, violão, enfim… Tudo o que você vê alguma outra criança fazendo e gostaria que seu filho fizesse também.

Se vocês forem parecidos comigo, provavelmente a lista ficará grande. Porque nós temos expectativas gigantescas quanto a nós mesmos e quanto às crianças, e porque somos levados pela empolgação de querer fazer tudo que é interessante.

Passo 2: Peguem outro papel e façam um quadro com duas colunas. Na primeira coluna anotem as respostas às seis questões que eu mencionei acima. Na segunda, coloquem os NÃO’s à frente de cada resposta.

Passo 3 – Voltem àquela lista inicial para rever quais atividades devem ser retiradas no momento e definir o que será trabalhado de forma mais intensa e com maior eficácia (e em um clima bem mais tranquilo).

Bom, eu diria que esses três passos correspondem mais ou menos ao que o pessoal que ensina sobre organização doméstica chama de “destralhamento”. É o desafogar das expectativas, tirar o que não é importante para aquele momento. É se sentir mais livre e mais leve para a caminhada que virá.

Então essa é a minha sugestão para os pais que por vezes se sentem como eu ali sentada na cama olhando para a bagunça e pedindo a Deus que me desse o poder de resolver tudo com o estalar dos dedos… Creio que é por aí que você pode começar.

Claro, eu nunca cheguei a ter esse poder da arrumação instantânea. Como tudo na vida, nada de bom se faz de repente e não existe fórmula mágica não, gente. Custa esforço, tempo, perseverança e empenho. Mas garanto que é uma alegria imensa quando você consegue olhar para trás e perceber que com o tempo a gente aprende a viver de forma que tudo fica prático e flui melhor.

(Para quem quiser, coloquei o projeto em arquivo já prontinho para você baixar, imprimir e preencher: Projeto Organização dos Estudos)

Agora… a novidade!!

Ao longo desse primeiro ano do Curso Ensinar a Estudar eu percebi que muitas famílias precisam de uma ajuda mais direcionada para transformar o conteúdo das aulas em resultados práticos de acordo com a sua realidade. Por isso comecei a trabalhar com um projeto de tutoria individual para as famílias que desejam ensinar seus filhos a estudar.

Nesse tipo de trabalho nós fazemos encontros online para conversar e estabelecer metas para as próximas semanas, partindo desde as bases que eu mencionei aqui até as questões mais práticas como horários, organização da rotina, estratégias para ajudar as crianças na concentração, motivação e outras necessidades, e também para o desenvolvimento das habilidades que os pais percebem que precisam em sua própria prática de ensino. Tudo a partir dos princípios cristãos e das questões de caráter que são a base de todas essas práticas.

Bom… Embora esse trabalho só comece oficialmente no ano que vem, agora em novembro estou oferecendo um serviço de tutoria com pacote de 10 horas como presente, que será sorteado entre os alunos que adquirirem o Curso Ensinar a Estudar até dia 20/11/18.

Quem sabe não será a sua família a agraciada com esse presente? =D

Para saber mais sobre o Curso, clique na imagem:

 

Ensinar a Estudar

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