A árvore das virtudes

Assim como aconteceu com a Escola Manacá, muitas ideias legais têm surgido nesta primeira edição online do Programa Valores e Virtudes e eu fico cada vez mais encantada.

Embora sejam muitas ideias, essa eu pedi autorização para compartilhar fora do grupo porque assim que vi comecei a pensar várias questões importantes.

Estamos trabalhando com 16 virtudes e logo no início eu fiz um vídeo comentando um pouco sobre cada uma e explicando que uma virtude não é algo com o qual você nasce, mas algo que se desenvolve, se cultiva. Para Aristóteles, enquanto a virtude intelectual cresce a partir do ensino, a virtude moral é adquirida como resultado do hábito.

Em seu livro “Ética a Nicômaco” ele explica a questão do hábito com uma citação de Eveno:

O hábito, meu caro, não é senão uma longa prática

Que acaba por se fazer natureza.

Claro, existem os bons e os maus hábitos. Por isso Aristóteles se refere às virtudes como aquelas adquiridas por meio dos hábitos que são “dignos de louvor”.

Pois bem… Logo que começamos o Estudo das Virtudes a Daniele Pereira associou uma das histórias com o plantio e trabalhou com seu filho sobre o cultivo das virtudes mostrando as plantinhas de sua pequena horta. Achei isso muito interessante.

E na semana passada recebi essa foto do trabalho feito pela Kátia Guará para ensinar aos seus filhos a questão de que as virtudes são como os frutos que nós colhemos após o cultivo.

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Fiquei encantada, claro, com a dedicação, mas mas ainda com a ideia da árvore, que era algo que eu não tinha pensado. E eu amo árvores! (Não foi por acaso a escolha do logo do blog, rs)

O que me veio à mente no mesmo momento foi que uma árvore pode dar frutos bons, frutos ruins, ou fruto nenhum. E isso depende, em grande parte, de diversos fatores como as condições do solo e do clima, e os devidos cuidados por parte dos cultivadores.

Então pensei naquele texto em que Davi compara a pessoa justa a uma árvore, dizendo:

Pois será como a árvore plantada junto ao ribeiro de águas

a qual dá o seu fruto na estação própria

e tudo quanto fizer, prosperará.

Sempre que recito essas palavras eu imagino uma árvore muito frondosa, cheia de folhas viçosas e frutos doces, plantada próximo a um rio de águas cristalinas.

Meu pensamento, então, ao pensar na árvore das virtudes, foi que é preciso que se preste atenção ao lugar onde estamos plantados – o que nossas raízes estão absorvendo, o que nos tem servido de alimento para a produção da seiva que resultará nos bons frutos.

Pensei na diferença que faz estar cercado por pessoas que também buscam uma vida sábia e plena – em contraposição a viver tentando desenvolver as virtudes quando todos à sua volta acham que isso é perda de tempo e o mais importante é se divertir e chafurdar-se na lama dos vícios.

Também pensei nas coisas com que alimentamos nossa mente todos os dias. Muitas pessoas pensam que não faz diferença o tipo de música que você ouve, os programas que assiste, os livros que lê. “É só para distração. Eu não misturo as coisas. Continuo com os meus princípios.” Eu não sei, mas acho muito difícil isso. Pensar que alguém pode passar horas e horas alimentando sua mente com programas que só alimentam a fofoca sobre a vida alheia, histórias que exaltam a rebeldia, o adultério e o sexo livre porque “o importante é ser feliz”, músicas que falam de vingança, despeito e desprezo pela dignidade do outro – lixo moral, em suma – e achar que nada disso vai afetar sua mente, seu coração e seus sentimentos? Certeza que essa pessoa terá tanta inclinação a se esforçar pelo cultivo das virtudes quanto aquela que lê, ouve e assiste histórias belas e que incentivam o abandono dos vícios e o amor pelas coisas certas?

E, finalmente, pensei naquelas águas buscadas pelas raízes da árvore. Porque ela pode estar em um lugar com clima ideal e solo fértil, mas como sobreviverá se não houver água?

Talvez alguns discordem, mas de minha parte estou certa de é possível encontrar diversos tipos de ribeiros, mas que existe um rio cujas águas podem não apenas saciar a sede, mas nutrir, fazer crescer, florescer e dar frutos – uma plenitude de vida que procede do próprio Deus.

Não duvido que seja possível buscar uma vida virtuosa mesmo sem crer Nele. Mas eu jamais abriria mão de estar plantada junto a essa corrente de águas a quem posso buscar!

 

Um comentário em “A árvore das virtudes

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