Por que educar sem aparelhos eletrônicos?

Uma coisa que deixa meu coração pesado é ver bebês mexendo em tablets e assistindo aos vídeos no celular como se fosse brinquedo. Também lamento pelas crianças que passam horas na frente da televisão, internet ou videogame, justamente na fase mais rica para a formação das habilidades que elas precisam.
Eu digo: Gente, tira esse celular da mão dessa criança! Gente, desliga essa televisão, vende esse videogame! Bota essas crianças pra brincar de verdade, pra ler, pra usar a imaginação! Esses negócios estão cheios de estímulos visuais e são uma droga, um veneno para a formação cognitiva da criança! Gente, o uso de tecnologia causa deformação nas funções que influenciam até a formação moral da criança! (Nem estou falando da questão de conteúdo. Estou falando do uso da tecnologia mesmo. Pesquisem um pouco sobre a questão da ansiedade nas crianças ou habilidade de autocontrole x satisfação imediata, por exemplo.)
“Ah, você só diz isso porque não é mãe. Você vai ver quando tiver… ” E etc, etc, etc… Eu sempre acho que esse não é um bom argumento, porque entendo que educação é, antes de tudo, uma questão de convicções. E sei que cada filho é um filho, cada caso é um caso… Mas sei que existem princípios que estão na base das decisões (e até renúncias) que cada família faz. Mesmo quando digo que meus pais educaram a gente (meus irmãos e eu) assim, alguns dizem: “Ah, mas isso eram outros tempos. Agora não funciona”. Então eu costumo só guardar tudo e pensar: “Bom, cada um com suas decisões. Se um dia tiver filhos eu lido com isso.”
Mas li agora pouco a reflexão feita por uma mãe que vive na nossa época – o texto é de hoje mesmo, para ser mais precisa – e educa três filhos pequenos por meio do Homeschooling. Para mim, tem sido uma alegria acompanhar o dia a dia de famílias que insistem em certos valores, mesmo que precisem enfrentar mudanças drásticas e rever certas prioridades para educar os filhos conforme aquilo que de fato acreditam. Fácil não é. Mas achei que seria interessante copiar para, quem sabe, inspirar alguém. Aí está:
***
“Por que não usamos eletrônicos para ensinar nossos filhos?
Primeiro porque, ao contrário do que MUITOS pensam e divulgam, isso não faz com que a criança se desenvolva mais rápido; muito pelo contrário, há pesquisas que indicam um atraso de 3 anos na fluência, leitura e capacidades de expressão oral e verbal destas crianças criadas com aparelhos eletrônicos nas mãos, quando comparadas às crianças de 30 anos atrás.
Segundo, porque não achamos necessário, tão pouco nos ajudaria, pois seria uma forma de desestimulá-los com os livros. Sim, é lógico que eles preferirão fazer qualquer atividade com sons, luzes e o Bita quase descendo de paraquedas em nossa casa. Por isso, para evitar mais problemas, eu simplesmente excluo esta alternativa, por melhores que sejam os programas e aplicativos oferecidos.
Eu excluí, também, TODOS os brinquedos com sons que eles tinham, porque aqui eu caminho na contramão do mundo mesmo e além de não suportar aqueles barulhos eu simplesmente acho que o que eu preciso estimular neles é justamente o oposto: o silêncio, a quietude, pois crianças já são naturalmente inquietas e barulhentas e aquele tipo de brinquedo só me servia para poluir a casa com barulhos que mais corrompem os ouvidos do que educam.”
Está lá no Instagram da Waleska Montenegro (@our_home_is_cool), e ela postou foto dos livros “The well trained mind”, da Susan Bauer, e “Silêncio, gesto e palavra”, de H. Lubienka de Lenval.

Um comentário em “Por que educar sem aparelhos eletrônicos?

  1. Eu concordo com tudo que disse. Acredito que as imagens, os sons, vídeos, produzidos pelos equipamentos eletrônicos não estimulam a imaginação das crianças. Os jogos eletrônicos levam às crianças valores irreais e as isolam da sociedade. A dependência por estes aparelhos é tudo que as empresas querem para poderem faturar. Mesmo quando havia calculadoras, nunca foi-me permitido o seu uso, tanto na escola, como também na faculdade, pois a alegação que se eu não tivesse o conhecimento de como se chegava ao resultado de uma conta, eu não sabia Matemática, eu era apenas um operador da máquina.

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